Mesmo "envergonhado", o sol de ontem trouxe a rotina de tranquilidade de volta a Camutanga, na Zona da Mata Norte do estado. Desde o último sábado, a população de 8 mil habitantes estava assustada com a possibilidade de estouramento da barragem. Acidente que foi descartado como de risco imediato pela Codecipe, mas que requer cuidados. A recomendação é manter a população ribeirinha afastada, considerando o atual período de chuvas e o aumento da pressão diante da incidência de fortes precipitações. A estratégia adotada pelo município é reduzir a vazão do reservatório o máximo possível. Sem, no entanto, secar o local para que os moradores possam continuar usando a água armazenada.
Depois do susto com o rompimento de uma rampa de concreto por onde escoa a água da represa, no último sábado, os técnicos da Codecipe e da prefeitura já realizaram uma operação de esvaziamento. A dragagem foi feita com a abertura de um canal que desvia a água para o Rio Camutanga e já baixou em dois metros o nível do reservatório. A intenção agora é ampliar o canal de escoamento. "Estamos esperando a chegada de uma escavadeira para ampliar o canal. Mas não poderemos secar toda devido ao uso que a população faz e até porque existem nascentes no local", disse o coordenador local da defesa civil, Fabiano Rosas. Ele informou que o serviço será feito pela empresa que construiu a represa, a Brumac Serviços e Construções Ltda, e também recomendou a medida como a mais segura.
Segundo o levantamento da prefeitura, 253 famílias que moram em áreas ribeirinhas estão em risco. "Recomendamos que elas saíssem da área porque a situação é de alerta. Mas as famílias estão resistindo porque não têm para onde ir", esclareceu Rosas, acrescentando que a defesa civil do município tem um plano de contingência pronto. O reservatório começou a ser construído em março do ano passado com recursos do Incra e deveria ter sido concluído em setembro. Mas, de acordo com a prefeitura, há 15 dias a construtora ainda reforçava o paredão de concreto. O prefeito, José Trigueiro, informou que as irregularidades na construção da barragem foram denunciadas ao Ministério Público de Pernambuco em janeiro.
A barragem, que custou R$ 312 mil, tem capacidade para 400 mil metros cúbicos de água e tem 12 metros de altura. No sábado, a vazão estimada era de 300 mil metros cúbicos de água. "Esperamos baixar o nível de água em pelo menos quatro metros, mas acredito que conseguiremos mais", disse o coordenador da defesa civil em Camutanga. Antes do rompimento da rampa, o problema na represa já preocupava os moradores da área do Engenho Santo Antônio que temiam um acidente com o aumento do nível. A estudante Valquíria Silva, 12 anos, estava observando o volume de água do rio quando escutou os primeiros estalos, contou ao pai e foi com ele até a cidade para avisar a prefeitura. O susto fez com que 53 famílias saíssem do local temporariamente. Mas, após a abertura do canal e redução da pressão, os moradores retornaram. Ainda na tarde de ontem, um carro de som da prefeitura estava nas ruas anunciando que o risco persistia.