O homem azul
Foi ontem: a repórter, coitada, na busca por informações sobre os cinco corpos da chacina ocorrida em um assentamento do MST, em Brejo da Madre de Deus, acabou na sala de necropsia do IML de Caruaru. Entre as anotações tomadas a partir da revolta de um funcionário da casa com as deficiências do lugar e o mau cheiro, que torna o ar da sala irrespirável, viu-se, repentinamente, diante do "homem azul". Azul de esperar para sair da geladeira, onde está desde o dia 12 de junho, por conta de burocracia. Vítima de atropelamento em Vertentes, sem parentes a reclamar o corpo, não poderá ser enterrado antes de ordem judicial que resolva a pendenga. Ali, não passa de um exemplo a ilustrar a raiva de funcionários ante a falta de tudo - inclusive de respeito com os mortos, pelo que se vê. Os profissionais em regime de plantão dormem dentro do banheiro, faltam máscaras e luvas, luz e água em quantidade razoável, e as questões administrativas são tratadas praticamente nas barbas dos cadáveres, numa intimidade difícil de sersuportada por mortais comuns. Tudo porque a prometida mudança para um prédio próximo não aconteceu - a obra continua parada. No meio da indigência toda, não há como não notar que alguns funcionários até enxergam mais sorte nos colegas do IML do Recife. Aqueles viram a estrutura da casa melhorar num estalar de dedos, ante a notícia de que receberia os corpos do voo 447 da Air France, para a realização das autópsias. Os muros amanheceram pintados e o ar, bem mais ameno. Tudo com um nível de organização suficiente para não permitir a peritos franceses sair da capital fazendo biquinhos de reprovação. O desencanto na unidade de Caruaru é compreensível, no fim das contas: a rotina e o ambiente profissional não mudam a partir de um ato de governo e as tragédias na cidade são tão comuns - normalmente geradas pela violência - que, no máximo, conseguem produzir um homem azulado pela burocracia, esperando ordem para merecer um enterro qualquer.
Repúdio // As críticas ouvidas na recém-encerrada 258ª Assembleia Ordinária do CEDCA/PE tiveram um alvo distante: o Superior Tribunal de Justiça (STJ), que decidiu concordar com o TJ do Mato Grosso do Sul e absolver o ex-atleta Zequinha Barbosa e seu empresário, Luiz Otávio Flores, das acusações de exploração sexual de adolescentes. Segundo os conselheiros, "em total desconformidade legal".
Tapioca e arte // Quando o estômago reclama, na Feneart, a clientela se queixa que não encontra preços camaradas, na praça de alimentação do evento. Pior: eles andam concorrendo com o valor das peças - há tapioca por R$ 5 e quadros por R$ 10. Comerciantes desses últimos amargam para conseguir os R$ 3 mil que pagaram por um espaço na feira.
Sem trégua // Entre as pedras no sapato, o prefeito de Itamaracá, Rubem Catunda, Rubinho do PT, tem uma que não dá trégua - a rádio Voz da Ilha. Ao meio-dia dos sábados, o sócio majoritário da estação, Almir Reis, tem um programa (Cidade em foco) e nele costuma descer a lenha, com força, no mandato falando de problemas para os quais só há promessas. Quando há.
Bastidores // Depois de o ex-ministro da Justiça Fernando Lyra contar em livro o que sabe sobre os bastidores da transição democrática, chaga a vez de o jornalista Ricardo Carvalho revelar, em mais de cem histórias, outros bastidores - os da política pernambucana, em quatro décadas. O lançamento de É tudo verdade - Memórias de um repórter, será no dia 27, no Ana Góis Recepção (Bairro do Recife).
Palmas // A categoria dos defensores públicos bateu palma quando leu no Diário Oficial do Estado medida da chefe, Tereza Joacy, garantindo que eles só voltarão a atuar no Fórum da Comarca de Olinda depois que puderem entrar pelo corredor lateral, como os magistrados. Foram excluídos em uma instrução de serviço da casa, a 001/2008.
Convite // Mas como nem tudo são dissabores, os defensores públicos vão participar da discussão em torno da Reforma do Código do Processo Penal, a convite do senador Demóstenes Torres, marcada para as 10h de sexta-feira. No Tribunal de Contas do Estado.
Pressa // A presidente do TRT de Pernambuco, Eneida Melo, também responsável pelo Planejamento Estratégico da 6ª Região, pediu pressa aos magistrados no julgamento de todas as ações autuadas até 31 de dezembro de 2005. Quer que estejam concluídas ainda neste ano.