O Assentamento Chico Mendes tem três anos de existência e está localizado na antiga Fazenda Garrote, no distrito de São Domingos, a 219 quilômetros do Recife. O local teve o título de posse emitido desde 1998, uma luta conquistada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Numa área de 660 hectares, ocupada por 30 famílias, o Chico Mendes é considerado modelo pelo próprio movimento.
"É uma área onde nunca tivemos conflitos agrários. Até a ocorrência desta chacina, as pessoas viviam em paz e harmonia", afirmou o coordenador estadual do MST, Jaime Amorim. O nome do assentamento é uma homenagem ao sindicalista e ambientalista Francisco Alves Mendes Filho, assassinado no Acre, em dezembro de 1988.
O acesso ao assentamento é difícil. Para chegar até a área é preciso percorrer cerca de cinco quilômentros em uma estrada de barro, bastante acidentada. Os moradores sobrevivem do plantio de milho, feijão, palma, além da criação de gado leiteiro e caprino. Parte das famílias já recebeu crédito inicial para produção e construção das casas. Alguns imóveis já começaram a ser erguidos, como a casa do líder João Pereira. As residências estão sendo feitas em alvenaria, bem diferentes daquelas conhecidas lonas plásticas comum nos acampamentos do movimento. "A moradia está trazendo a dignidade para os trabalhadores", ressaltou Amorim.
Embora a sede da escola ainda não esteja pronta, nenhuma das crianças ficam sem frenquentar a sala de aula. Há turmas de alfabetização, da 1ª a 4ª série. "As aulas acontecem todos os dias", garantiu o coordenador do MST. Segundo Jaime Amorim, os assentados pretedem investir em gado de leite. "Eles já possuem um projeto para pleitear investimentos do Programa de Fortalecimento da Agricultura Familiar. O projeto será apresentado no próximo ano", adiantou. Segundo ele, apesar da morte do líder do assentamento, as ações não serão interrompidas.