Familiares preferiram se calar ontem depois das mortes de cinco integrantes do movimento no Assentamento Chico Mendes Ana Paula Neiva ananeiva.pe@diariosassociados.com.br
Brejo da Madre de Deus - Um dia depois da chacina que matou cinco homens do Movimento Sem Terra no
Polícia ainda não tem suspeitos de envolvimento em chacina Imagens: Ana Paula Neiva/DP/D.A Press
Assentamento Chico Mendes, na Fazenda Garrote, em Brejo da Madre de Deus, no Agreste de Pernambuco, a maioria dos familiares e amigos das vítimas preferiu calar sobre os assassinatos. O clima de silêncio aumentou com a chegada de policiais civis e militares que passaram o dia de ontem fazendo rondas na área com viaturas e com o helicóptero da Secretaria de Defesa Social. O delegado de Santa Cruz do Capibaribe, Sérgio Moura, que assumiu as investigações, disse que é cedo para descartar a possibilidade de as mortes estarem relacionadas a conflito agrário, mas acha que essa é a hipótese mais frágil, já que o assentamento já estava consolidado há três anos. No entanto, há informações de que o alvo dos criminosos era o coordenador do assentamento, João Pereira da Silva, 39 anos, conhecido como João Crente. Os outros homens teriam sido mortos por estarem com ele.Já o MST levantou a hipótese de os assassinatos estarem relacionados à vingança pela morte de quatro seguranças em São Joaquim do Monte, também no Agreste, em fevereiro deste ano, de autoria dos sem terra, ou mesmo vigança pessoal a um dos envolvidos. A versão de latrocínio foi praticamente descartada, pois nada foi levado pelos criminosos. Hoje, por volta das 16h, o ouvidor-agrário nacional adjunto, João Pinheiro de Souza, e o promotor agrário de Pernambuco, Édson Guerra, irão até o assentamento para fazer uma vistoria. As vítimas serão enterradas no fim da manhã de hoje em cemitérios diferentes. O corpo de João Pereira seguirá para o Cemitério de São Domingos, distrito de Brejo da Madre de Deus; Natalício Gomes da Silva, 36, e o tio dele Olímpio Cosme Gonçalves, 52, serão sepultados em Surubim; os corpos do agricultor Juarez Cesário da Silva, 20, e do pedreiro José Angelino Moraes da Silva, 43, seguem para o Cemitério de Lajes, distrito de Brejo.
Segundo nota do MST, os cinco homens mortos trabalhavam na construção da casa do líder do assentamento, quando dois desconhecidos chegaram em uma moto perguntando pelo tesoureiro. João Pereira, líder e responsável pelo pagamento dos assentados, pediu para que eles se identificassem, pois usavam capacetes. Em seguida, os motoqueiros anunciaram um assalto e mandaram que todos se deitassem e começaram a disparar contra a cabeça das vítimas. O agricultor Erionaldo José, atingido com um tiro no ombro, teve alta do Hospital Regional do Agreste, em Caruaru, ainda na madrugada de ontem, depois prestou depoimento na Delegacia de Santa Cruz do Capibaribe.
O coordenador estadual do movimento, Jaime Amorim, pediu segurança para a testemunha, mas até o início da noite de ontem, Erionaldo continuava sem proteção e estava escondido. O governo do estado disse que ele não é considerado uma testemunha e alegou que apenas havia sido atingido por uma bala perdida e, por isso, não iria oferecer proteção policial.
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