Bateu nos nervos
A greve dos professores do estado, decretada ontem, bateu nos nervos do governo. Não só porque Educação é a área mais bem avaliada, mas sobretudo porque a radicalização do Sintepe - Sindicato dos Trabalhadores em Educação em Pernambuco, pegou o Palácio das Princesas de surpresa. Motivo: o Sintepe é controlado pelo PT de Humberto Costa, que não é só um aliado, mas um secretário do governo Eduardo. E a radicalização do Sintepe chega numa hora em que o governador vem se aproximando do ex-prefeito João Paulo (PT), cuja candidatura ao Senado começa a tomar um novo impulso. Assim, a greve dos professores teria uma conotação política, quase uma afronta a Eduardo, e não é a primeira vez que o PT estadual, comandado por Humberto, é tão audacioso. Recentemente, o PT ultrapassou a linha do bom senso quando ousou e insistiu em colocar em discussão uma possível negociação da vice na chapa de 2010, como se o vice João Lyra Neto (PDT) já estivesse fora da chapa de Eduardo. E, tudo, tendo como pano de fundo, a possível candidatura de João Paulo ao Senado. Foi preciso uma reação forte do governador, através de uma nota do PSB, para que o PT se recolhesse ao seu devido lugar. Agora, vem a greve. O sindicato cobra do governo o pagamento de um salário de R$ 1.132,00 e afirma que Pernambuco é o estado que pior paga a um professor de ensino médio - R$ 900,00 - que é o piso salarial. A polêmica está no reajuste de 19,2% do gasto por aluno, repassado pelo Fundeb e que não foi aplicado ao salário do professor, a partir de janeiro passado, como prevê a lei do piso. O governo alega que foi um dos primeiros a pagar o piso salarial e que do ano passado para cá houve reajustes entre 18% e 60% para a categoria, além de uma política de valorização dos professores com cursos de especialização e crédito para computadores, entre outros benefícios. Mas não houve acordo. A greve está decretada e o governo engasgado. E a interrogação é saber como Humberto vai sair desse episódio.
Lula sobrenatural // Jarbas Vasconcelos disse ontem que o presidente Lula está colocando a agenda eleitoral de 2010 acima dos interesses do Brasil, ao defender a permanência de José Sarney (PMDB/AP) na presidência do Senado. "Como que ungido por uma força sobrenatural, o presidente planejou em detalhes todos os eventos políticos para os próximos meses, para que, ao final, eleja sua candidata como sucessora na Presidência, de preferência de forma consagradora, não para ela, mas para si próprio".
Regionalização // Mendonça Filho, presidente estadual do DEM, está regionalizando a chapa do partido para deputado estadual. Duas lideranças do interior já estão na lista: o ex-prefeito de Tacaratu, Kleber Carlos, que hoje é secretário da Prefeitura de Petrolina, e o presidente da Câmara Municipal de Ibimirim, Roni Rolim.
Secretário // Faz tempo que Marcelino Granja não é mais o secretário da Fazenda de Olinda. E esta semana o prefeito Renildo Calheiros (PCdoB) anuncia o novo titular, que deve ser João Alberto, seu chefe de gabinete. Havia uma restrição a ele devido suas frequentes viagens ao Maranhão onde tinha uma namorada. Aí ele casou.
Petit comité // Depois da reunião da Mensagem ao Partido, no fim de semana, em São Paulo, o ex-prefeito João Paulo foi convidado por Marta Suplicy para um jantar, em sua residência, para discutir a crise no Senado e o peso dessa conjuntura na candidatura de Dilma Rousseff. Quem também marcou presença no petit comité foi o ex-ministro Antônio Palocci.
Defesa // O advogado Henrique Mariano, candidato à presidência da OAB-PE, propôs ao presidente da entidade, Jayme Asfora, a realização de um ato público em defesa do exercício da profissão, em função do assassinato da advogada Karina Amorim. Ficou acertada uma passeata no próximo dia 14.
Último ano // Começa a contagem regressiva para o último ano do governo Eduardo. Daí a importância da reunião hoje do governador com o secretariado. A partir de julho de 2010, vai dominar o clima eleitoral e só terá campanha.
Inaugurações // A pauta principal da reunião é a preparação do orçamento para 2010, mas a ordem vai ser essa: todas obras referentes a compromissos assumidos por Eduardo, na campanha de 2006, terão que ser inauguradas entre dezembro deste ano e junho de 2010.
Dinheiro // Ao contrário de 2008, quando a arrecadação superou as expectativas, a previsão para 2009 é a de um recuo de R$ 600 milhões em relação ao planejado, embora nominalmente a arrecadação deva superar à do ano passado. Ou seja: é dentro de um figurino, bem mais justo, que o governo terá que trabalhar e apresentar resultados.