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No caminho para voltar à Igreja
Religião // Nomeação de dom Fernando Saburido já mexe com os que se afastaram na gestão de dom José Cardoso
Jailson da Paz
jailsonpaz.pe@diariosassociados.com.br


Dom Fernando Saburido ainda não tomou posse da Arquidiocese de Olinda e Recife. Sua nomeação pelo Vaticano,

Padre Reginaldo Veloso diz estar pronto para colaborar se for convocado. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A Press
porém, já mexe com centenas de pessoas que se afastaram da Igreja Católica ou foram destituídas de suas funções nos quase 24 anos do arcebispado de dom José Cardoso Sobrinho. Passados os primeiros dias da nomeação de dom Fernando, religiosos e leigos pensam num possível caminho de volta às ações e às pastorais da arquidiocese. Nem todos têm certeza do retorno, mas veem na chegada do novo arcebispo uma possibilidade de reconstruir projetos iniciados, em sua maioria, durante a gestão de dom Helder Camara.

Afastado da paróquia do Morro da Conceição por ordem de dom José, padre Reginaldo Veloso não titubeia na possibilidade de voltar a contribuir com a organização das pastorais da arquidiocese. "Fui destituído de minhas funções como pároco, mas nunca deixei de trabalhar no projeto de construção do Reino de Deus. Estou à disposição do pastor", enfatiza.Padre Reginaldo, hoje casado, trabalha com três pequenos grupos na área da paróquia. Nesses locais, nos moldes das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), as orações estão sempre acompanhadas de reflexões e de debates sobre os problemas rotineiros dos católicos e de suas comunidades.

Para padre Reginaldo, a nomeação de dom Fernando renovou as esperanças de gente afastada ou entristecida com a Igreja implantada por dom José. Esse é o sentimento no grupo que articula as CEBs na arquidiocese. Depois do anúncio da nomeação, antigos integrantes do movimento e de pastorais, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Pastoral da Juventude intensificaram as conversas. As CEBs reúnem hoje 20 grupos na arquidiocese. Esse número foi dez vezes maior. Sandra Gomes de Aráujo, articuladora das comunidades, diz que a volta é possível. "Os 24 anos de resistência contra o modelo conservador de dom José nos ajudou a amadurecer. Sabemos que a volta só é válida se a Igreja for comprometida com a transformação da sociedade", entende.

Alguns fiéis, padres e religiosas dizem ser preciso esperar um pouco mais para ver esses sinais de comprometimento. "Dom Fernando mostrou, no discurso e na prática como bispo auxiliar, ser diferente de dom José. Mas não podemos esquecer que a Igreja vive sob o poderio de Bento 16, um papa ultraconservador", analisa um dos leigos afastados das pastorais da arquidiocese pelo arcebispo. Para ele, o melhor é esperar um pouco mais. O ex-pároco de Água Fria (Recife), padre João Carlos Santana, vê por outro ângulo. "Dom Fernando já demonstrou que sabe ouvir e ser tolerante. No meu caso, estou à disposição para ajudar a arquidiocese", diz. Padre João Carlos foi afastado da paróquia em 2006 por dom José, a quem está processando por calúnia.


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Edição de domingo, 5 de julho de 2009 
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