O ex-Beatle Paul McCartney, os atores Alec Baldwin e Kevin Spacey e os cantores Chris Martin (Cold Play) e
 Universitário Robson Souza aboliu o consumo de origem animal há dois anos e diz se sentir mais saudável. Foto: Inês Campelo/DP/D.A Press |
Sheryl Crow são as caras famosas de uma campanha que vem ganhando o mundo. Alguns são vegetarianos. Outros defendem a simples redução no consumo. A unanimidade está no desejo de - pelo menos - criar a Segunda-feira sem carne. A campanha encontra defensores anônimos em Pernambuco que, seja pelos direitos dos animais ou para contribuir com o controle das mudanças climáticas, estão dispostos a repensar os hábitos alimentares. A polêmica chegou às redes de supermercado que já receberam da Justiça a recomendação de não comprar produtos com origem em áreas desmatadas. O assunto rende aos consumidores mais uma reflexão, antes de avaliar se "as calorias" são válidas ou não.
Os defensores da campanha Segunda-feira sem carne (Meat free monday) argumentam que a produção de carne bovina contribui com o desmatamento e a emissão de gases poluentes e citam a iniciativa como uma oportunidade de experimentar algo novo e aproveitar os "deliciosos vegetais" como uma refeição. "Ter um dia livre de carne por semana é uma ótima oportunidade para que cada um mude seu estilo de vida em prol do meio ambiente", já disse McCartney em entrevistas sobre a participação na campanha. O resultado da enquete feita pelo Blog de Meio Ambiente (veja na coluna ao lado) indica uma tendência simpática à iniciativa. Do total de participantes até a tarde da sexta-feira passada, 39% afirmaram já não consumir carne e 34% informaram que poderiam cortar o produto do cardápio por até três dias.
O corte de carne por um dia foi aceito por 15% e 12% dos votantes disseram não aderir à redução, se classificando como "loucos por um bom filé ou churrasco. A campanha ganhou maior fama em junho deste ano com a adesão dos artistas internacionais e a divulgação de dados sobre o impacto da produção e do consumo de carne. Segundo a organização europeia Meat Climate, cada quilo de carne bovina consumido equivale à mesma quantidade de poluentes de um avião que tenha percorrido 100 quilômetros (quase a distância entre o Recife e Caruaru). Além disso, a pecuária é responsável por cerca de 18% das emissões globais de gases de efeito estufa atribuídas à atividade humana no planeta, o que é mais do que a emissão do setor de transportes.
A professora do departamento de zootecnia da UFRPE Adriana Guim disse que o problema é a ampliação das áreas de pasto. "Os pecuaristas deveriam usar áreas de manejo e recuperar as degradadas. O Brasil tem muita área de pastagem e o uso sustentável é o único caminho", destaca. Aos consumidores, sugere, resta refletir e tentar confirmar a origem dos produtos. Vegano (não come nada de origem animal) há quase dois anos, o estudante de ciências sociais Robson Souza, 22 anos, não consome nada de origem animal. "Por que defendemos alguns animais e outros não? Eles são iguais e iguais a nós", diz. Desde da adoção do cardápio à base de soja e vegetais, ele diz que se sente mais saudável e próximo do meio ambiente e divulga suas ideias no blog http://conscienciaefervescente.blogspot.com.