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Dilma muda postura e defende Sarney
SENADO // Em longa entrevista, ontem, ministra pregou a apuração de irregularidades na Casa, atacou o DEM e disse que não se pode "demonizar" ninguém


Brasília - Diante da crise que atinge o Senado, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, mudou sua postura arredia a comentários políticos. Ontem, Dilma ficou à vontade numa entrevista sobre as irregularidades que teriam sido cometidas pelo senador aliado José Sarney (PMDB-AP).

Ela pediu cautela a aliados e oposicionistas e disse que não foi interlocutora de Lula nas conversas com o senador. Foto: José Varella/CB/D.A Press
Em declarações impactantes e ao mesmo tempo bem medidas, a candidata de Lula à Presidência pregou a apuração de todas as denúncias e disse que não se pode "demonizar" ninguém.

"Acho que nada deve ser ocultado. O governo não defende ocultação de nada"
Dilma Rousseff - ministra da Casa Civil

Na longa entrevista no Centro Cultural Banco do Brasil, sede provisória da Presidência, ela fez ataques aos senadores do partido oposicionista DEM, intercalados com defesas da transparência na administração pública. Ao comentar notícia de que Sarney não declarou à Justiça Eleitoral a casa onde mora, em Brasília, a ministra defendeu a apuração do fato, mas disse que o aliado não poderia ser jogado aos "leões". "Acho que nada deve ser ocultado. O governo não defende ocultação de nada", afirmou. "Por outro lado, não concordo em demonizar o presidente Sarney e responsabilizá-lo por toda a crise."

Dilma ressaltou que é preciso avaliar que irregularidades do Senado ocorrem há mais de 15 anos. Ela afirmou que as contratações, que teriam ocorrido de forma secreta, e a emissão de passagens aéreas para familiares dos parlamentares foram de responsabilidade da primeira secretaria do Senado, ocupada pelo DEM. "Estranhamente o DEM, agora, pede o afastamento do presidente Sarney", disse a ministra.

Ela tentou se afastar da imagem de quem protege um amigo apenas por lealdade. "Eu sou inteiramente a favor de toda transparência no Senado e da apuração das responsabilidades Também sou a favor que se garanta que o Senado se aperfeiçoe", afirmou. Dilma pediu "cautela" de aliados e oposicionistas nesta crise. Em suas palavras cuidadosas, a ministra negou que tenha começado a interferir nas negociações políticas do governo. Ela negou que atuou como interlocutora de Lula nas conversas com Sarney. Dilma relatou que na noite da última terça-feira recebeu em sua casa, no Lago Sul, o presidente do Senado, que tinha pedido o encontro uma hora antes. Ela fez questão de ressaltar que Sarney só a procurou porque Lula estava no exterior.

Decisão - Na conversa, que foi acompanhada pelo chefe da gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, a ministra pediu que Sarney, antes de tomar qualquer decisão sobre possível afastamento do cargo, aguardasse a volta do presidente. "Eu não tinha nenhum recado para o presidente Sarney e apenas fiz uma ponderação cautelosa", afirmou Dilma. A ministra negou também que o encontro teria ocorrido na casa de Sarney, como chegou a ser anunciado.


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Edição de sábado, 4 de julho de 2009 
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