Moscou (EFE) - Os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e Estados Unidos, Barack Obama, assinarão na próxima semana em Moscou um acordo sobre desarmamento nuclear, anunciou ontem Serguei Prikhodko, assessor do Kremlin para Assuntos Internacionais. "Este será um acordo marco. Evidentemente, conterá números e volumes. Será politicamente vinculativo, mas não terá caráter jurídico", disse Prikhodko, segundo agências russas.
O documento - uma "espécie de memorando", e não um convênio - será denominado "comunicado de entendimento" sobre desarmamento e será assinado durante a primeira visita de Obama à Rússia, da próxima segunda-feira até 8 de julho. Em relação ao corte dos arsenais que deverá estabelecer o novo acordo de desarmamento, o funcionário do Kremlin ressaltou que "o número de ogivas nucleares será menor do que 1,7 mil, enquanto no que diz respeito aos portadores, as conversas continuam".
Isso representa níveis de diminuição maiores que os contemplados pelo Tratado de Moscou sobre Reduções de Armamento Estratégico Ofensivo de 2002, que estipula que, para 2012, as duas potências tenham um máximo entre 1,7 mil e 2,2 mil cargas nucleares. Explicou, ainda, que a Rússia mantém postura de envolver assinatura do novo acordo que substitua o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start) com planos norte-americanos de desdobrar escudo antimísseis na Europa, ao qual Moscou se opõe.
Prikhodko destacou que Moscou desejaria "carimbar acordo definitivo sobre desarmamento antes de 2009 ou começo de 2010", embora tenha defendido evitar que o acordo perca conteúdo para cumprir com os prazos. As conversas de desarmamento, anunciadas pelos presidentes, em sua primeira reunião em abril, não produziram por enquanto resultados concretos, segundo fontes ligadas às negociações. Por outro lado, também serão assinados acordos de cooperação militar e sobre o trânsito de mercadorias militares norte-americanas com destino ao Afeganistão. "Depois dos eventos em (as regiões separatistas georgianas de) a Abkházia e Ossétia do Sul, nossacooperação militar praticamente congelou. Trata-se de retomar os contatos normais por via militar", assinalou Prikhodko.
Resposta - O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, fez críticas ontem ao presidente Barack Obama e assegurou que a Rússia não vive no passado, mas "olha para o futuro". "Esta é uma característica particular que permitiu a Rússia a avançar e se tornar mais forte", afirmou Putin durante visita à região de Krasnodar, no sul do país. Ele fez as declarações em resposta às afirmações feitas por Obama, às vésperas de sua visita à Rússia, nas quais disse que o ex-presidente "tem um pé no passado e outro no futuro".
O primeiro-ministro afirmou que "a Rússia esperava Obama com bons sentimentos" e ressaltou os sinais positivos enviados por Washington desde que o novo presidente assumiu o poder. Também pediu uma mudança na emenda Jackson-Vanik, que mantém em vigor restrições comerciais contra a Rússia desde os tempos da União Soviética.