Brasília - Irritados com a decisão do DEM de pedir o afastamento do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), do cargo, o PMDB e o PT ameaçam retaliar os democratas que, nos últimos 18 anos, comandaram por 10 anos a primeira secretaria da Casa. Os governistas defendem uma ampla investigação nos atos da primeira secretaria. Responsável pela administração do Senado, pelas negociações dos contratos, que vão desde a contratação de mão de obra terceirizada às negociações com empresas para prestação de serviços, a primeira secretaria é conhecida como "o cofre" da Casa. É na primeira secretaria, a quem o diretor-geral do Senado é subordinado, que transita grande parte do dinheiro orçamento da Casa.
"O DEM sai com uma lista contra o Sarney pela porta da frente e com o cofre pela porta de trás", afirmou Wellington Salgado (PMDB-MG). "Estão procurando um bode expiatório. Querem dividir a culpa e a responsabilidade", reagiu o líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN). "Eles estão querendo fugir do desgaste coma decisão de manter o apoio a Sarney", completou o líder, ao lembrar que o diretor geral é escolhido pelo presidente do Senado. O ex-diretor Agaciel Maia, hoje alvo de investigação pela edição de atos secretos, comandou a parte administrativa da Casa desde 1995.
A atual Mesa Diretora já detectou irregularidades em 16 contratos para o fornecimento de mão de obra para o Senado. Todos foram assinados por Agaciel Maia, no período em que o DEM está à frente da primeira secretaria.A senha de que os peemedebistas e petistas, que ficaram praticamente sozinhos na defesa da permanência de Sarney, estão com sede de vingança em relação ao DEM foi dada ontem pelo líder do PT, senador Aloizio Mercadante (SP). Do púlpito do plenário Senado, em um discurso que durou mais de três horas, ele fez questão de lembrar que o DEM é o responsável pela administração da Casa, pelo menos, desde 2003, no primeiro governo do presidente Lula.