Belo Horizonte - O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), disse ontem que é uma "simplificação" personificar a crise no Senado na figura do seu presidente, José Sarney (PMDB-AP). Após um encontro com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), no Palácio das Mangabeiras, em Belo Horizonte, Guerra avaliou que falta "energia suficiente" ao peemedebista para o enfrentamento dos problemas, mas afirmou que não se trata de uma questão moral. "Não estou dizendo que o presidente Sarney não tem moral, não é essa a questão", salientou o senador, depois de garantir que o vice-presidente da Casa e primeiro da linha sucessória, senador Marconi Perillo (PSDB-GO), tem "total moral para assumir o cargo". Perillo é alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por supostos crimes cometidos quando era governador de Goiás.
O presidente do PSDB reiterou a posição do partido para que o presidente do Senado se afaste por 60 dias e uma comissão suprapartidária assuma para comandar uma ampla reforma na Casa.Sobre a posição da bancada do PT, que na terça-feira, horas depois de engrossar o coro pelo afastamento de Sarney, voltou atrás, Guerra se limitou a dizer que o PSDB não havia tratado do assunto. "O objetivo traçado por todos nós é encurtar a crise", afirmou, lembrando que após o prazo de dois meses, Sarney poderia retornar ao cargo para "enfim, impor a sua autoridade". "O presidente Sarney, infelizmente, nós não torcemos para isso, e nós não votamos nele, não tem mostrado energia suficiente para enfrentar o problema".
Embora tenha defendido punição para os responsáveis por irregularidades, o dirigente tucano avaliou que a superação da crise no Senado não se dará "pelo lado das pessoas, punindo uma pessoa aqui, outra lá na frente". "Outras pessoas vão aparecer, outros comentários vão se fazer e outras denúncias vão surgir". Segundo ele, há uma crise geral nas esferas parlamentares do País - citou a Câmara dos Deputados, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. "Chamar essa crise de José Sarney é uma simplificação. Evidente que é uma crise com o José Sarney, mas há muitas crises por aí", disse.
Aécio, que no início da semana havia afirmado que estava convicto de que Sarney saberia enfrentar os problemas que afligem o Senado, pois "tem história política para isso", ontem preferiu não se envolver. "Uma reforma estrutural no Congresso é claramente necessária, agora os senadores é que vão decidir, se com a presença do presidente José Sarney ou não", observou, após ressaltar que não é bom para a democracia um Congresso Nacional fragilizado.
O governador de Minas evitou capitalizar a regulamentação das prévias no PSDB, aprovada pela Executiva Nacional do partido, como uma vitória na disputa interna com o colega paulista José Serra. Embora tenha partido de Aécio a demanda pela regulamentação da consulta, o mineiro disse que não há vencidos e nem vencedores. "Não foi uma disputa. Vence o PSDB, até porque o próprio governador José Serra já se manifestara anteriormente também favorável, em havendo necessidade, (a) uma consulta às bases do partido", afirmou.