A Região Metropolitana do Recife inverte a lógica das demais regiões. A pesquisa mostra que aqui houve menor inatividade feminina nos meses seguintes à crise. Guerreiras, as mulheres pernambucanas que perdem os empregos levantam a cabeça, dão a volta por cima e seguem em busca de uma nova vaga. Ao mesmo tempo, as mulheres da RMR perderam mais ocupações com taxa de - 6,1% do que a média nacional de -3,1%. No emprego doméstico o corte das trabalhadoras foi maior com - 2,6% contra -0,89% do conjunto das demais regiões.
Sônia Galindo, 45 anos, psicóloga, trabalhava há 14 anos e 9 meses como gerente de uma rede de farmácias. Desde dezembro está desempregada. Aguarda a formalização da rescisão contratual. "A empresa estava em dificuldades financeiras e a crise agravou ainda mais a situação", diz. Ela já buscou empregou pela internet, distribuiu currículo, e agora se inscreveu na Agência do Trabalho. "Meus colegas homens já foram recolocados, mas a mulher tem mais dificuldade e perde espaço, mas não vou desistir", garante.
A auxiliar de enfermagem Kátia Ramos, 40 anos, foi demitida há um mês de uma empresa do ramo de saúde. "A empresa faliu. Demitiu todos os empregados. Comecei a colocar o meu currículo no mercado para ver se consigo um novo emprego", conta. Kátia estava há oito anos trabalhando e não cogitava ficar desempregada. Mãe de um filho de quatro anos, ela acha que enfrenta dificuldade de conseguir emprego por ser mulher. "O que aparecer eu fico, mesmo fora da minha área, mas não tenho planos de deixar de trabalhar", reforça. Demitida em fevereiro, Maria de Lourdes Aragão, 29 anos, visita a Agência do Trabalho a cada quinze dias para ver se consegue uma vaga. Ela acha que a falta de qualificação profissional e de experiência dificultam a recolocação no mercado.