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Intenção de compra em alta entre os nordestinos
Consumo // Pesquisa aponta otimismo dos moradores da região em relação à situação do país
Mirella Falcão
mirellafalcao.pe@diariosassociados.com.br


Todas as classes sociais foram beneficiadas com aumento de renda no ano passado. Apesar disso, o brasileiro deve reduzir as suas pretensões de compra. Menos o nordestino, que é o mais otimista com a situação geral do país e está pouco disposto a economizar, segundo a pesquisa Observador Brasil realizada pelo instituto Ipsos-Public Affairs, a pedido da financeira francesa Cetelem. Enquanto nas outras regiões houve uma retração nas previsões de gastos, de acordo com o levantamento, o Nordeste obteve uma das maiores intenções de compra, ficando atrás apenas do Norte/Centro-Oeste. Eletrodomésticos e móveis lideram a lista de itens desejados pelos nordestinos.

"O Nordeste é a região que mais está se beneficiando do acesso ao crédito e isso está se traduzindo em aumento de vendas", diz Marcos Etchegoyen, vice-presidente do Cetelem Brasil. O Observador vem traçando as tendências de consumo desde 2005. Para a edição de 2008, o estudo ouviu consumidores de 70cidades de nove regiões metropolitanas do país, entre 16 e 28 de dezembro de 2008. Em onze países da Europa, onde essa mesma pesquisa é realizada, a pedido do grupo Cetelem, houve uma queda na avaliação da situação geral do país. No Brasil, entretanto, a nota de 0 a 10 que foi dada pelos consumidores, que era 5,3 no ano passado, subiu para 5,6.

"Este é um dado que pode confirmar que a crise econômica ainda não foi percebida pela população, já que os efeitos no Brasil estão bem menores que em outros países da Europa", diz Etchegoyen. Neste contexto, os nordestinos são os mais otimistas. A região deu a maior média para a situação do país, que ganhou nota 6. Outra explicação para a boa avaliação do país, segundo o vice-presidente do Cetelem, é o aumento da renda em todas as classes sociais, proporcionado em 2009. Segundo o estudo, a renda familiar média do brasileiro cresceu 11%, passando de R$ 1.047, em 2007, para R$ 1.162.

O maior avanço ocorreu nas classes A e B que, depois de sofrer um achatamento dos rendimentos em 2006 e 2007, foi beneficiada com um aumento de 16,5%, atingindo R$ 2.586. Na classe C, o aumento da renda foi de 13%, chegando a R$ 1.201. Já as classes D e E, houve um incremento de 12% na comparação anual, para R$ 650. Mesmo com mais renda disponível para gastar, nos doze itens levantados pelo estudo, houve uma retração nas intenções de compra. No Nordeste, entretanto, a única redução foi nos gastos com lazer, que caiu de 18% para 17% das menções. Móveis (31%) eletrodomésticos (37%) e celulares (25%) são os principais itens na lista do nordestino.

Curiosamente, os carros não obtiveram uma alta expressiva nas intenções de consumo. A redução do IPI já estava em vigor durante o período de pesquisa, mas a vontade de comprar carros no país caiu de 17%, em 2007, para 14% das menções. Já os eletrodomésticos, que ainda não tinham recebido o incentivo fiscal, lideravam as pretensões de compra. "Com a manutenção do IPI para a linha branca, a venda desses produtos tende a ficar ainda mais aquecida", analisaEtchegoyen.


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Edição de quinta-feira, 2 de julho de 2009 
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