Celular na mão, bluetooth ligado e pornografia repassada, aluno a aluno, telefone a telefone, em apenas alguns segundos. Se antes os estudantes trocavam entre si gibis e revistas de RPG, agora eles podem compartilhar fotos e vídeos sensuais - de forma gratuita e com cópias ilimitadas. É assim que encontramos, nas duas escolas visitadas, dezenas de exemplos de conteúdo e de histórias relacionadas à descoberta sexual com ajuda da tecnologia. "Todos nós temos curiosidade", garante Marília.
Trocar fotos de si mesmos, seja por e-mail ou celular, já até ganhou nome nos Estados Unidos, sendo chamado de sexting. Não se trata de pedofilia, mas de material produzido pelos jovens e, muitas vezes, para consumo dos próprios jovens. Porém, como saber se estes artigos podem cair ou não nas mãos de pessoas erradas? "O risco está nos efeitos que estes excessos podem deixar nestes sujeitos. De que forma a busca por estas experiências está respondendo às questões destes jovens?", argumenta a psicóloga Marina Pinheiro.
Mais importante: como conversar com os filhos sobre isso? "Precisamos educar mostrando que existem diferenças entre os espaços público e privado. Encarar estas mudanças com naturalidade e saber agir diante delas", lembra a educadora Sandra Arrais. "Conversar sobre sexo e experiências deste tipo ainda é difícil na nossa sociedade. Mas precisamos ter consciência que é nossa obrigação estabelecer este diálogo, pois tudo que não existe diálogo, acaba caindo no excesso", aconselha Marina.
Não existe uma fórmula de como chegar próximo aos filhos e falar sobre o assunto. "É importante que eles saibam que você está interessado sobre isso e que está preocupado com ele. Mostrar que casos de superexposição são, constantemente, tratados pela mídia e que podem significar riscos. Os pais precisam ser vistos como uma base segura. No fim, eles precisam conquistar a confiança e não ser um invasor ou perseguidor do filho", finaliza a psicóloga.