Adolescentes, pré-universitários, com idades entre 12 e 17 anos, moradores de grandes centros urbanos e conectados ao mundo de possibilidades oferecido pela internet.
 A reportagem visitou duas escolas para conversar com jovens: maioria assume que segue cartilha da web. Foto: Inês Campelo/DP/D.A Press |
Este é o perfil de jovens brasileiros que poderão, em pouco tempo, causar uma verdadeira mudança comportamental e sexual no país. Não apenas na maneira de falar e de encarar o sexo entre duas ou mais pessoas, mas de agir entre quatro paredes. É assim, pelo menos, que muitos pais, educadores e psicólogos começam a observar e a reagir quando se fala de desejo e descoberta carnal na atualidade. Para conhecer mais de perto esta realidade, nossa reportagem foi a duas escolas do Recife (uma pública e a outra privada) para conversar com esses jovens.
Muita coisa mudou desde os versos de We are the world, de Michael Jackson, ou o erotismo de Madonna em Like a virgin, nos anos 80. Os adolescentes de hoje cresceram ouvindo Baby, give me one more time, de Britney Spears, rebolando com naturalidadeNa boquinha da garrafa e cantando as letras, cada vez mais explícitas, de Só as cachorras e Chupa que é de uva, tão presentes no fim desta década. A sexualidade está exposta, aberta, escancarada em todos os cantos da sociedade e ainda mais acessível por causa das diversas tecnologias, seja a televisão, o celular ou a rede mundial de computadores.
"Se antes era difícil ir até uma locadora e alugar vídeos eróticos, proibidos para menores de 18 anos, agora podemos assistir tudo o que quisermos nos sites", explica João, 16 anos, estudante do ensino médio do Colégio Atual, em Boa Viagem, e frequentador assíduo de páginas como YouTube, RedTube, PornTube e dezenas de blogs com vídeos, imagens e textos sobre o tema. "Vejo o que quero, quantas vezes quiser e depois apago o histórico do navegador", completa ele, dizendo não deixar rastros para os pais. Contudo, quais os riscos e as consequências de ver e participar deste mundo virtual específico? Estamos seguros com nossas decisões tomadas, na maioria das vezes, virtualmente "protegidos" em nossas próprias casas?
"Não se trata discutir se a internet, por exemplo, influencia ou causa uma hipersensualidade desses jovens ou mesmo se direciona as escolhas deles. Existe sim uma hipererotização e uma cultura pelo corpo e pela visibilidade. Isto não acontece apenas nos computadores, mas nas revistas, na televisão, nas músicas e até na forma como somos seduzidos por alguém atualmente", explica a psicóloga clínica Marina Pinheiro, que trabalha com adolescentes e desenvolve uma pesquisa de doutorado sobre modificações extremas do corpo (chamadas de body modification), como o uso de piercings, tattoo's e cirurgias plásticas, seja por razões estéticas, espirituais ou tribais.
Evolução - A próxima década não está tão interessada em sexo virtual, aquele feito pelo teclado. Os jovens internautas agora sabem que podem se mostrar (por meio de câmeras) ou marcar encontros na vida real, com ou sem compromisso de um segundo encontro. "É fácil achar gente procurando sexo nos bate-papos. As pessoas trocam três ou quatro frases e já perguntam: 'você faz gostoso?'. Uma vez, conversando com um cara pelo MSN, ele abriu a webcam para me mostrar que estava excitado, sem cueca. E eu não precisei pedir ou falar nada de sensual para ele", diz Marília, de 15 anos, estudante da escola pública Pedro Augusto, no Centro do Recife, e que, entre outras experiências, já chegou a tirar uma foto de si mesma, apenas de sutiã e calça, para colocar no Orkut, mas desistiu de publicar em seu perfil no último minuto. "Fiquei na dúvida, mas tenho ela guardada", explica.