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Geração que nasceu dentro da estabilidade



Eles nasceram no ano em que a inflação pipocava no país. Os preços subiam em disparada. Os salários não davam para as despesas e antes de chegar ao fim do mês o dinheiro acabava.

Maria Vitória diz que sempre pesquisa preços antes de comprar. Foto: Edvaldo Rodrigues/DP/D.A/Press
É a geração que não sabe o que é hiperinflação, remarcação de preços, aperto no orçamento doméstico. A estudante do primeiro ano do ensino médio Maria Vitória Gouveia Maciel, 15 anos, debutou em março deste ano. Nasceu antes da edição do Plano Real. Hoje usufrui dos benefícios da economia estabilizada, moeda forte e, claro, maior acesso aos bens de consumo, como celular, MP4, computador.

"Plano Real? Não sei o que é", diz Maria Vitória. E inflação? "Acho que é a subida dos preços sem o aumento do salário mínimo, o que prejudica as pessoas mais pobres", responde na ponta da língua. Mesmo com pouca noção de economia, a adolescente sabe que é importante afastar o fantasma da inflação. "Acho que hoje ainda tem inflação porque sempre alguma coisa sobe de preço". Ela costuma ir ao supermercado com os pais e observar os preços nas prateleiras de uma semana para outra. "Às vezes as coisas básicas como feijão e arroz ficam mais caros e a gente troca de marca", ensina.

E o seu consumo pessoal? Maria Vitória diz que sempre pesquisa preços antes de comprar. "Quando a ocasião merece eu compro roupas mais caras, mas sei que posso encontrar uma blusa de R$ 15 até R$ 200. Se a ocasião é especial eu gasto mais", conta. Nada que seja acima do que é combinado com os pais. A jovem costuma usar a mesada para as despesas com o lazer, como ir ao cinema ou à boate.

Como seria viver com a volta da inflação? "Acho que seria difícil, em especial para a população mais carente que se esforça para comprar as coisas e ganha pouco. Para os adolescentes também seria ruim, porque a gente que tem uma renda melhor não se conformaria em deixar de ter acesso às coisas que tem hoje", avalia. Uma prova de que a estabilização da economia é percebida mesmo pela turma pós-Real, que não abre mão das conquistas. (Rosa Falcão)


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Edição de quarta-feira, 1 de julho de 2009 
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