Consórcio não é investimento. Este é o alerta que o consultor financeiro Conrado Navarro considera essencial para quem planeja comprar um bem utilizando este tipo de financiamento. "É uma forma de consumir, mas não um investimento de capital", diz. "Se a pessoa conseguir economizar o valor da mensalidade do consórcio e aplicar numa cesta de investimentos com produtos diferentes, vai ter o dinheiro necessário para comprar o imóvel à vista nos mesmos sete ou oito anos que teria participando de um consórcio e com mais possibilidades", diz autor do livro 'Vamos falar de Dinheiro' (Editora Novatec) e criador do site Dinheirama.com.
Para um horizonte de longo prazo - mais de cinco anos - o consultor sugere investimento em ações (no máximo 20% do total), títulos do Tesouro Nacional e fundos de renda fixa. Mesmo assim, Conrado Navarro não acha o consórcio uma opção ruim, mas ressalta a necessidade de entender como funciona o mecanismo, que tem uma correção anual menor do que outros tipos de financiamento, mas conta também com taxa de administração - em média 16,97%, segundo dados do Banco Central.
Ele desaconselha pessoas que moram de aluguel a optarem por um consórcio. "Não se pode ter a idéia de que você vai ser sorteado rapidamente. Pode ser que não aconteça e neste caso, para chegar mais rápido às chaves, o caminho seria um lance, que às vezes é até 50% do valor total do imóvel. Com um pouco de disciplina, é possível economizar as prestações que seriam pagas nas mensalidades e até aderir a um consórcio no futuro, mas em melhores condições", aconselha.
Para a Associação Brasileira de Mutuários de Habitação (ABMH), o consórcio é vantajoso quando o valor do imóvel é superior a R$ 200 mil. "Até esse valor, os juros aplicados nos financiamentos imobiliários são mais atrativos do que a correção monetária e a taxa de administração cobrada pelos consórcios", diz o diretor administrativo da ABMH em Minas Gerais, Lúcio Delfino.