Desde que começou a viver o conservador Amithab em Caminho das Índias, toda vez que sai às ruas, Danton Mello ouve sempre o mesmo comentário. "O público está reagindo de uma maneira muito engraçada.
 Rabugento, Amithab não vê com bons olhos as ideias dos irmãos mais jovens. Foto: Luiza Dantas/CZN |
Tenho escutado muito que o Amithab é um chato e que tem de parar de pegar no pé dos irmãos", diverte-se o ator, que na trama de Glória Perez incorpora o irmão mais velho de Raj, Ravi e Chanti, interpretados, respectivamente, por Rodrigo Lombardi, Caio Blat e Carolina Oliveira. Rabugento, o personagem é extremamente apegado às tradições indianas e, por isso, não vê com bons olhos as ideias dos irmãos.
"Na visão ocidental, ele é um vilão. Mas brinco dizendo que na Índia conservadora ele seria um herói. Porque ele quer manter as tradições", defende. Os costumes, aliás, foi o que Danton mais estudou para criar o personagem. Também pudera. Antes de a novela estrear, o ator nunca tinha tido contato com a cultura indiana. "O que conhecia da Índia era ioga e incenso. Com a novela, pude aprenderum pouco mais: o modo de se vestir, o gestual", conta ele, que, por não ter viajado para a Índia, levou muito a sério os workshops de preparação para a trama.
Foi em uma dessas oficinas, por sinal, que Danton captou a essência do personagem. Até porque, segundo ele, ao assistir às inúmeras palestras e filmes, pôde entender melhor o universo indiano. Apesar de em alguns momentos ter ficado um pouco confuso. "Acontecia muito de um dia, em uma palestra, um indiano do Norte falar que na Índia dele era assim. E, no dia seguinte, um indiano do Sul desmentir", lembra ele. "Resolvemos que tínhamos de assimilar um pouco daquilo tudo, filtrar e escolher os nossos códigos".
Na TV desde os dez anos de idade - quando estreou na Globo como o Cuca de A gata comeu -, Danton conta que nunca tinha imaginado que um dia interpretaria um indiano. "Sempre pensei em histórias brasileiras. E de repente surgiu essa oportunidade maravilhosa", comemora. É a primeira vez que ele vive um papel com uma certa pitada de vilania em uma novela. "O Amithab é bacana porque, através dele, posso quebrar, mostrar que também convenço como esse cara amarrado, mal-humorado", analisa ele, que acumula dois protagonistas no currículo: o Héricles, de Malhação, e o Rodolfo, de Sinhá Moça.