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Foguete brasileiro
Testes // Aparelho feito por universitários da UNB deve colaborar com a agência espacial do país
Rodolfo Borges
rodolfoborges.df@diariosassociados.com.br


Brasília - Está em fase final de testes um foguete produzido por estudantes da Universidade de Brasília (UnB) que deve ajudar a Agência Espacial Brasileira (AEB) a treinar pessoal e fazer exercícios de logística nos centros de lançamento do país. Fruto da parceria entre a AEB e o Departamento de Engenharia Mecânica da universidade, o foguete Santos Dumont 2 (SD-2) é impulsionado por um motor híbrido (com combustível sólido e líquido), tecnologia pioneira no Brasil e que aumenta a segurança do aparelho. Tudo por apenas R$ 3 mil, um preço irrisório comparado aos milhões de reais necessários para produzir e testar um veículo lançador de satélites no Brasil.

"Não teríamos tempo para desenvolver essa tecnologia", diz José Bezerra Pessoa Filho, chefe da Divisão de Propulsão Espacial do Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), que veio de São José dos Campos (SP) a Brasília para acompanhar os testes finais do foguete. Ocupados com projetos do Programa Espacial Brasileiro, os engenheiros da AEB delegaram aos universitários a descoberta de novas tecnologias, através do Programa Uniespaço. "Vamos levantar o programa espacial brasileiro e teremos novidades nos próximos anos", diz o estudante Danilo Sakay, 25, envolvido no projeto desde 2006.

Em teste realizado no mês passado, os alunos da UnB avaliaram pela primeira vez o desempenho do foguete em posição de lançamento. Por volta de 18h do último dia 20, um raio de 20m ao redor do aparelho (preso a uma torre de metal para não decolar) foi esvaziado, para evitar acidentes. Atrás do muro que sustentava a torre, os alunos ligaram o motor, que funcionou por apenas 3s, porque a tampa do reservatório do oxidante (que reage com o combustível) não suportou a pressão e se rompeu.

O professor Carlos Alberto Gurgel Vieira, responsável pelo projeto, explica: "A tampa de vedação explodiu por causa da variação entre a temperatura da parte inferior do foguete (2.500 °C) e do óxido nitroso (-80°C), composto de nitrogênio e oxigênio.Imaginamos que o alumínio ia aguentar, mas teremos que revesti-lo com camada de polímero (material mais resistente a alterações de temperatura) e soldar a tampa. Mas é assim, o ensaio serve para identificar os pepinos. Faz parte do processo", consolava, depois do ensaio, o engenheiro e observador José Bezerra, que disse enxergar muito potencial nos alunos da UnB. Outro contratempo já tinha adiado o teste no dia anterior. Um problema na ignição do aparelho impediu que o motor ligasse.

Projeto - O foguete SD-2 é desenvolvido desde 2005 na UnB. A terceira geração do projeto, chamada "Desenvolvimento de um motor híbrido, com empuxo variável para foguetes de sondagem", recebeu patrocínio de R$ 150 mil da AEB. "A medida em que o projeto for mostrando resultado, eles podem reivindicar mais dinheiro", diz Bezerra.

Caso a eficiência do SD-2 seja comprovada, o foguete será lançado nos próximos meses no Centro de Lançamento Barreira do Inferno, em Parnamirim (RN). "Se o foguete alcançar os planejados 6km de altura na base de Parnamirim, podemos pensar em fazer modelos maiores", planeja Bezerra. Segundo ele, a tecnologia do SD-2 pode ser aproveitada, inclusive, para desenvolver um motor de indução de reentrada, necessário para trazer satélites em órbita de volta ao solo. Depois de finalizado esse modelo do motor híbrido, o projeto continua. A expectativa do professor Gurgel é de que o aparelho alcance 100km de altura em quatro anos.


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Edição de domingo, 28 de junho de 2009 
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