A presença das tropas da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Haiti (Minustah) tem dividido opiniões. Em
Assista a entrevista com Franck Seguy, jornalista que acompanha uma delegação contra a Minustah. O grupo denuncia o aumento da repressão aos movimentos sociais, estupros e sequestros, como consequência negativa da presença das tropas no país. Imagens: Aline Moura/DP/D.A Press
visita ao Brasil, uma delegação de haitianos denuncia que os militares estrangeiros se desviaram do objetivo principal - que era obter a paz -, passando a repreender movimentos sociais, praticar sequestros e violência sexual contra mulheres e crianças.
Composta de três pessoas, a delegação já esteve no Congresso Nacional, em Brasília, mas se divide até o próximo sábado para visitar outros estados. Um dos integrantes visitou o Diario, ontem, acompanhado do jornalista haitiano Franck Seguy e de dois representantes da Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas). Membro da Plataforma Haitiana em Defesa de um Desenvolvimento Alternativo (PAPDA), o professor universitário Frantz Dupuche argumenta que o governo brasileiro desperdiça recursos, já que enviou 1.500 soldados para o Haiti, cada um ao custo de US$ 60 mil ao ano.
Segundo Frantz, um trabalhador do Haiti recebe US$ 2 por oito horas de trabalho, menos de R$ 4 por dia, e não pode mais reivindicar os direitos, ou fazer protestos, sob o risco de ser morto a tiros das tropas da Minustah. Frantz veio ao Brasil ao lado de Carole Pierre Paul-Jacob, dirigente da organização Solidariedade das Mulheres Haitianas (SOFA) e de Didier Dominique, membro da Central Sindical Popular Batay Ouvriyer. Os três querem sensibilizar o governo brasileiro, que comanda a missão, para deixar o Haiti.
"O atual presidente, René Préval, foi eleito em 2006 pelas tropas e não pelo povo", protestou Frantz. "Ele só conseguiu 49% dos votos e teve apoio da Minustah para assumir o governo. Todos os votos em branco foram contabilizados a seu favor", lembrou Frantz, lamentando que houve 33 candidatos concorrendo à presidência do Haiti naquele ano, mas nenhum representou os trabalhadores.
O professor ressaltou que o Haiti é três vezes menor que Pernambuco e abriga, atualmente, nove mil soldados da Minustah, todos de países latino-americanos. Ele contou, inclusive, que 108 mulheres foram violentas por soldados, que ficaram impunes, porque as leis haitianas não têm poderes sobre as tropas. O jornalista Seguy acrescentou que há casos de sequestros no Haiti, onde o resgaste está sendo feito por soldados da própria Minustah.
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