Teerã (EFE) - O regime iraniano endureceu ontem a repressão contra as manifestações, com a intervenção da unidade de elite da Guarda Revolucionária, para impedir novos protestos da oposição.
Segundo testemunhas, mais de dois mil soldados e milicianos islâmicos Basij armados com paus e barras de ferro foram à Praça de Haft-e Tir, onde se concentraram cerca de mil de manifestantes.
As mesmas testemunhas explicaram que as Forças de Segurança usaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar centenas de homens e mulheres vestidos de preto e que gritavam "Alahu Akbar" (Deus é o maior).
Alguns foram presos nas ruas próximas aos distúrbios, afirmaram as testemunhas. Como aconteceu anteriormente, a imprensa internacional foi proibida de cobrir os protestos.
A oposição iraniana, que denunciou uma fraude nas eleições presidenciais do dia 12 de junho, tinha convocado um novo protesto para ontem, além de uma nova jornada de luto pela morte de oito pessoas em uma manifestação realizada há uma semana na Praça de Azadí, no oeste de Teerã.
Além disso, a oposição quis homenagear a jovem Neda, assassinada a tiros dias antes, quando aparentemente observava uma das manifestações com seu pai no centro da capital.
Ontem, horas antes do início da manifestação, a unidade de elite da Guarda Revolucionária alertou que "atuaria duramente" para evitar os protestos da oposição.
Em comunicado divulgado através de seu site, o grupo advertiu que os manifestantes teriam que fazer frente a "uma dura resposta da Guarda Revolucionária, dos milicianos islâmicos Basij e de outras forças" se continuassem com sua intenção de tomar as ruas.
O Irã acusou os EUA e vários países europeus de interferirem nos assuntos internos do Irã e de apoiar estes distúrbios.
Reação - Em Washington, o ex-príncipe iraniano Reza Ciro Pahlavi, filho do xá Mohamed Reza Pahlevi, derrubado em 1979 pela Revolução Islâmica, disse ontem que chegou "a hora de o Irã" derrotar o atual regime, após anos de tentativas frustradas.
Num encontro com jornalistas, o ex-príncipe do Irã, quedesde 1984 vive nos Estados Unidos, afirmou que as manifestações e distúrbios que sacodem o país desde o último dia 12 são "um grito pela liberdade e pela democracia".
O governo iraniano atacou especialmente o Reino Unido, que diz estar "reconsiderando" retomar as relações diante dos fatos ocorridos antes, durante e depois das eleições. Várias associações de estudantes convocaram uma manifestação amanhã, em frente à embaixada britânica em Teerã, para protestar contra a suposta ingerência de Londres.
A União Europeia (UE) considerou "infundadas" e "inaceitáveis" as acusações de ingerência feitas pelas autoridades iranianas, enquanto reiterou sua condenação à "brutal violência" contra os protestos pelos resultados eleitorais em Teerã.
O governo da Itália se mostrou disposto a abrir a sua embaixada em Teerã para acolher os manifestantes feridos, em coordenação com outros países europeus, informou ontem, o Ministério de Relações Exteriores italiano em comunicado.