Brasília - O juiz federal Ali Mazloum, que mandou Protógenes Queiroz para o banco dos réus e ordenou uma devassa nos arquivos secretos da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), pode ser removido compulsoriamente da 7ª Vara Criminal Federal, da qual é titular. Alvo de processo administrativo disciplinar em curso no Tribunal Regional Federal da 3ª Região, Mazloum começou a ser julgado em sessão do Órgão Especial da corte ocorrida no último dia 10. Se condenado, poderá ser deslocado para comarca no interior do estado ou dar expediente em alguma região remota do Mato Grosso do Sul, também sob jurisdição do TRF 3.
O placar contra ele é arrasador - os primeiros cinco votos, puxados pelo desembargador Paulo Octávio Baptista Pereira, relator da ação, impõem a punição a Mazloum. Quatro votaram pela remoção e um, pela pena de censura. O julgamento, que corre sob sigilo, foi suspenso pela desembargadora Suzana Camargo, que pediu vista dos autos. Colegas de Mazloum, inclusive desembargadores federais, veem "pressão política" no episódio.
Em maio passado, no dia 27, o juiz decretou a quebra do sigilo telefônico do delegado Paulo Lacerda, ex-diretor-geral da Abin e ex-diretor da PF. Ao Conselho Nacional de Justiça, Mazloum relata em 10 páginas o que chama de "jogo de cartas marcadas, processo administrativo ilegal e abusivo". Ele está convencido de que o Órgão Especial do TRF 3 vai condená-lo à remoção compulsória.