Sandra Guedes, 29 anos, chefe de família, há um ano e meio desempregada. Com mãos firmes empurra um carrinho pelas ruas do bairro do Ipsep.
 Sandra Guedes (à direita), desempregada, se deu bem no primeiro dia de trabalho. Foto: Julio Jacobina/DP/D. A Press |
A estreia como vendedora porta a porta de produtos alimentícios rendeu bons frutos. Em apenas duas horas vendeu R$ 197, correspondentes a quinze kits. Sandra é uma das quinze vendedoras autônomas do projeto porta a porta da Nestlé Brasil, iniciado ontem no Recife. Em três anos, o novo modelo de vendas já emprega mais de 6 mil pessoas, em sua maioria mulheres, no Sul e Sudeste do país, agregadas a rede de 164 microdistribuidores. Em 2008, o faturamento da multinacional com a comercialização desses produtos focados na baixa renda foi de R$ 1 bilhão do total de R$ 13,4 bilhões.
O modelo de vendas porta a porta funciona no esquema "formiguinha". Sandra chegou ao microdistribuidor San Lucas no Ipsep pelas mãos da colega de bairro Magali Ferreira. "Já tinha experiência com a venda de cosméticos e me candidatei a uma vaga comovendedora autônoma. A minha expectativa é vender bem para sustentar a minha família. Espero tirar no mínimo R$ 700 por mês", planeja. Sem vínculo empregatício, Sandra terá 30% de comissão em cima das vendas mensais. A dona de casa Iolanda Neli Fonseca, 71 anos, aprova o novo formato de vendas. "Já compro alguns produtos em casa. É mais cômodo e a gente se acostuma com o vendedor", comenta.
Há nove anos no ramo de distribuição, Francisco Alves é o primeiro microdistribuidor fidelizado à Nestlé em Pernambuco. Com um investimento inicial de R$ 60 mil, ele se instalou num galpão, localizado na Rua Blumenau, número 136, no bairro do Ipsep. A equipe inicial com 15 vendedores, majoritariamente mulheres, vai atuar nos bairros vizinhos: Boa Viagem, Ibura, Jordão e Pina. Os carrinhos semelhantes aos que vendem sorvete se espalham pelas ruas abastecidos com todos os produtos da linha popular da Nestlé.
Como leva o produto à casa do cliente, o preço fica até 10% mais caro porque tem o custo do transporte. Um kit básicocom 15 tipos de produtos que custa R$ 20 sai por R$ 22, mas o pagamento pode ser feito com prazos para 10 e 15 dias. O freguês ganha uma cadernetinha para ser fidelizado ao porta a porta. A estimativa de Alves é que cada vendedor comercialize entre 10 e 15 kits por dia. Ele espera faturar por mês R$ 40 mil com o novo negócio.
Alves diz que está recrutando pessoas no bairro e espera até o fim do ano ter uma equipe de mais de 100 vendedores autônomos. Os selecionados passam por treinamento no local antes de pegar o carrinho para ganhar as ruas. Além da comissão de 30%, os vendedores que se destacarem terão prêmios no fim do mês. Como Janicleide Severina da Silva, que entrou com o pé direito, e no primeiro dia vendeu 25 kits e faturou R$ 526.