Depois de cinco anos sem lançar um disco de inéditas, os Titãs lançam Sacos plásticos, o 16º numa carreira de 27 anos.
 Foto: Silmara Ciuffa/Divulgação |
Pop rock e baladas mais lentas dão andamento ao novo trabalho, que foi produzido por Rick Bonadio, responsável pela textura sonora de bandas como NXZero e Fresno. Os Titãs contam que eles foram procurados por Bonadio, por isso deram a ele a preferência de produzir, dirigir, mixar e também colocar programações e teclados em algumas faixas. Rick tem uma pegada reconhecidamente comercial e, sabendo que as críticas viriam, os Titãs se armaram das respostas.
Em entrevista ao Diario, por e-mail, Paulo Miklos justificou o perfil do álbum, recordando que Titãs "mexe" com eletrônica há pelo menos vinte anos (em Jesus não tem dentes no país dos bangelas e O Blesq Blom utilizaram estes recursos). Confiaram em Rick como um produtor eclético, e de sucesso. O disco então varia entre músicas que parecem ter sido feitas para a abertura doseriado Malhação e outras de pegada mais original. Amor por dinheiro, que abre o disco, e a própria música-título Sacos plásticos têm uma pegada pop padrão. Sérgio Brito, o rei das baladas titânicas, apresenta pelo menos duas melosas: Porque eu sei que é amor e deixa eu sangrar. Ambas têm apelo mas não chegam perto da inspiração da banda (no caso, do ex-Nando Reis) quando fez Os cegos do castelo.
Sérgio se redime ao final do álbum, com o reggae Nem mais uma palavra. Toca uma escaleta e um teclado que fazem toda a diferença. Como uma banda "coletivo", detentora de identidades múltiplas de cada um dos seus músicos e compositores, os Titãs conseguem desagradar e agradar ao mesmo tempo. Parte boa é também o funk Problema (a cara dos Titãs "das antigas", também pudera, tem Arnaldo Antunes como compositor, ao lado de Miklos e Liminha). O disco, que sai pelo selo Arsenal Music (do poderoso Bonadio), custa R$ 26 nas lojas.