Limoeiro - Uma festa em que os gestos tiveram mais importância que as declarações. Assim foi a celebração junina promovida pelo senador Sérgio Guerra (PSDB) neste sábado, na sua fazenda a 77 quilômetros do Recife.
 Jarbas e Eduardo: encontro "da paz". Foto: Juliana Leitão/DP/D.A.Press |
O evento revelou a veia de "cantor" do governador de São Paulo e pré-candidato do PSDB à Presidência da República José Serra. Chamado pelo sanfoneiro Dominguinhos, Serra subiu ao palco e entoou o clássico Baião ("Eu vou mostrar pra vocês como se dança o baião..."), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Minutos antes, o "grande encontro" esperado para a noite se deu cercado de flashes e de olhares de expectativa. O governador Eduardo Campos (PSB) e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) se cumprimentaram, com direito a conversa rápida ao pé do ouvido.
Os dois momentos registrados sob a lona armada no pátio da fazenda de Guerra deram o tom do evento que, realizado em nome dos festejos aos santos de junho, esteve longe de perder o caráter político. A postura de Serra foi típica de liderança sulista preocupada em mostrar intimidade com as manifestações da cultura do Nordeste. Principalmente diante de uma platéia de cerca de 50 prefeitos, mais de 100 vereadores, deputados, senadores (de diversos estados) e eleitores. Em entrevista, o tucano revelou saber todas as tradicionais canções juninas e comentou, num raro momento de humor, que deveria ter cuidado para não acharem que ele se saía melhor como cantor do que como governador ou ministro.
No mais, Serra mostrou-se incomodado e impaciente com a imprensa. Inicialmente, declarou desconhecer a pressão de aliados para que se movimente mais pelo país sob pena de perder terreno para a pré-candidata do PT à Presidência, ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Concorrendo com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, pela indicação do PSDB para a cabeça da chapa para a sucessão do presidente Lula (PT), Serra disse que o ideal seria o consenso sobre a decisão do partido. Afirmou, porém, que se não for possível que se façam as prévias. "É perfeitamente democrático", disse.
Jarbas e Eduardo chegaram ao local com uma diferença de menos de cinco minutos. O senador, o primeiro a dar as caras, até parecia saber do horário em que o carro do governador ia estacionar na entrada da festa. Tanto, que não parou para conversar, optando por se acomodar logo. Acompanhado da esposa, Renata Campos, de secretários e do vice-governador e secretário de Saúde, João Lyra (PDT), Eduardo circulou pelo salão cumprimentando quem foi prestigiar Sérgio Guerra. Mostrou-se completamente à vontade num evento que, em tese, tinha a marca da oposição. O encontro com Jarbas deu-se após uma rápida troca de olhares entre os dois. Como tinha chegado depois, coube a Eduardo ir até a mesa do senador. Trocaram apertos de mãos e abraços. O governador, segundo Jarbas, fez comentários sobre a banda que tocava na hora (Forró Quentão), sugerida a Guerra pelo vereador e ex-prefeito de Caruaru, Tony Gel (DEM).