A economia brasileira encolheu 0,8% no primeiro trimestre deste ano, depois de um baque de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) - a soma da produção de bens e serviços - sofrido de outubro a dezembro de 2008. A sucessão de quedas é suficiente para caracterizar uma recessão, pelo critério técnico, mas os números não são, no entanto, tão ruins quanto se esperava e nem captam os sinais de melhora observados em alguns setores da economia nos últimos dois meses. O crédito voltou a crescer, a produção industrial mostrou recuperação em maio e os juros mais baixos começam a impulsionar o consumo. Apesar disso, há segmentos ainda muito longe de uma retomada, principalmente na indústria: a siderurgia, por exemplo, continua com fornos parados e não parou de demitir trabalhadores.
O resultado do PIB no primeiro trimestre indica que a economia brasileira já venceu o pico da retração provocada pela crise financeira mundial, para Carlos Thadeu de Freitas Gomes, chefe do Departamento de Estudos Econômicos da Confederação Nacional do Comércio e professor do Ibmec. "Teremos um desempenho certamente melhor no segundo trimestre e assim por diante, com um crescimento de até 0,5% da economia na média deste ano", afirma. A produção de bens e serviços do país foi estimada pelo IBGE em R$ 684,6 bilhões. O consumo das famílias, que representa 60% disso, acabou segurando a queda do PIB, ao registrar expansão de 1,3% no trimestre analisado, embora a um ritmo menor que os 2,2% nos últimos três meses de 2008 e bem inferior aos 7,3% do terceiro trimestre de 2008.
A comparação dos números explica a lamúria do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao comentar a performance da economia. "Fiquei triste porque a gente vinha em um crescimento tão extraordinário antes da crise econômica que atingiu o país no ano passado", disse. Cláudia Dionísio, economista do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, observou que os gastos das famílias aumentaram na esteira da oferta de crédito, apesar do fôlego mais baixo desde o fim do ano passado.
"O crescimento foi menor porque há mais seleção na concessão do crédito e os juros estavam um pouco mais altos no começo do ano (a taxa básica fixada pelo Banco Central estava em 12,5% ao ano, ante os 11,2% anuais no primeiro trimestre de 2008). Os números de janeiro a março mostram uma realidade que pode ter ficado para trás e traçam a rota da recuperação da economia brasileira, na avaliação do economista Fernando Sarti, do Instituto de Economia da Unicamp.
O PIB da indústria despencou 3,1%, seguido pela agropecuária, com queda de 0,5%, enquanto os serviços apresentaram elevação de 0,8%, influenciadas pela boa performance dos serviços de informática. As exportações de bens e serviços desabaram 16% e as importações, 16,8%.