O Recife lidera o ranking de cidades na Região Metropolitana com maior número de pessoas picadas por
escorpião. De uma média 1,5 mil acidentes registrados no Centro de Assistência Toxicológica do Hospital da Restauração em 2008, 52% foram procedentes da capital, seguidos de Olinda (17,6%), Jaboatão dos Guararapes (13,7%), Camaragibe (3,9%) e Paulista (3,6). Os números foram divulgados, ontem, no lançamento da I Campanha de Prevenção a Acidentes com Escorpião. Realizado pelo Ceatox-RH e Secretaria Estadual de Saúde, o trabalho tem como meta evitar a proliferação do animal. Só neste ano, em toda RMR, ocorreram 425 casos de pessoas picadas pela espécie Titus Stigmurus - um tipo amarelo amarronzado com um triângulo negro na cabeça.
Os números são subestimado e ainda estão longe da realidade. Esses dados se referem apenas aos registros feitos pelo Ceatox, uma vez que vários indivíduos procuraram outras unidades de saúde para tratar os sintomas da picada. Mas já é um indicativo que serve de referência. Levar uma picada de escorpião não é nada agradável. Para crianças de zero a 12 anos e maiores de 60, mais grave ainda: pode levar à morte.
É justamente com o objetivo de evitar o pior que a Secretaria e o Ceatox lançaram essa campanha inédita. Uma forma de alertar às pessoas sobre os cuidados com o ambiente onde se vive e os riscos em caso de picadas. Segundo a chefe do Ceatox, Lucineide Porto, a campanha terá ações voltadas para profissionais de saúde e para o público em geral. Ontem, durante o seminário, foram entregues cartilhas educativas e panfletos para que representantes dos municípios trabalhem junto às comunidades. Hoje, em outra iniciativa, estudantes de medicina previamente capacitados no Ceatox, vão distribuir folders sobre a temática da campanha no Metrorec (Estação Recife), onde circulam cerca de 35 mil pessoas. "O controle desse animal é fundamental e sua eficácia depende do engajamento dos órgãos públicos, da comunidade e do manejo ambiental adequado para tornar o ambiente desfavorável à instalação, permanência e proliferação de escorpiões", afirmou.
No inverno - De acordo com a chefe do Ceatox, durante o período chuvoso, o número de picadas tende a crescer, porque as chuvas alagam as tocas dos escorpiões e eles procuram lugares quentinhos, próximos às residências, onde há abrigo e comida (leia-se baratas, grilos ou cupins). Os bichos normalmente entram por ralos de banheiros e pias, mas preferem locais onde há entulhos metralhas, pedaços de madeira e lixo.
A dona de casa Nadja Freita de Farias, 27 anos, contou ter ficado aliviada com dedetização feita pela Vigilância Ambiental da PCR no local onde mora - o duplex B do Condomínio Rosas do Sul, em Setúbal, Zona Sul do Recife. Ela disse, no entanto, que a PCR demorou a agir, porque passou mais de um mês para dedetizar o local, sob o argumento de que o prédio vizinho precisava resolver problemas de esgoto sanitário antes. Detalhe: em março, foram pegos mais de 70 bichos só casa dela. Nadja explicou, ainda, que o marido vai mover uma ação contra o edifício vizinho, que instalou uma fossa ao lado da parede de seu imóvel. Situação que, segundo ela, permite o vazamento para seu apartamento e atrai os animais.
Entenda os riscos Leve
Dor e parestesia locais (como sensação de frio, calor, formigamento). Nesses casos, não há necessidade de tomar soro
Moderada
Dor local intensa associada a uma ou mais manifestações, como náuseas, vômitos, sudoreses, salivação, agitação, aumento dos ritmos respiratórios e cardíaco (taquipnéia e taquicardia respectivamente). Nesses casos, é necessário tomar soro
Grave
Além dos sintomas já citados, na forma moderada, há a presença de uma ou mais manifestações: vômitos profusos e que não podem ser controlados, sudorese e salivação intensas, prostação, convulsão, como, redução da frequência cardíaca (bradicardia), insuficiência cardíaca, acúmulo de líquido no pulmão (edema pulmonar agudo e choque). Nesses casos, há necessidade de soro e maiores cuidados
Crianças e idosos
Crianças até 12 anos e maiores de 60 são os mais vulneráveis à picada do escorpião. Em caso de acidente com um ou com outro, é necessário levá-los imediatamente às unidades de referência. No interior do estado, são os hospitais regionais. Na Região Metropolitana, é o Ceatox-HR
Fonte: Centro de Assistência Toxicológica do Hospital da Restauração