Brasília - Diante do resultado da pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem, os partidos de oposição cobram do PSDB mais empenho na corrida eleitoral. O levantamento, divulgado ontem, mostra que a avaliação positiva do governo Lula subiu de 62,4% em março para 69,8%. Revela, ainda, o crescimento da intenção de votos para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na eleição para presidente em 2010. Pela primeira vez, Dilma chegou ao empate técnico com o governador de São Paulo, José Serra: na sondagem espontânea, na qual o entrevistado não tem acesso a uma lista com nomes pré-determinados, a ministra teve 5,4% das intenções de voto e Serra, 5,7% - a margem de erro é de 3% (veja quadro).
Os números levaram o PPS e o DEM a pressionar os tucanos para que antecipem a campanha e definam o candidato do partido: Serra ou o governador de Minas, Aécio Neves. A cúpula do PSDB, também exigida internamente, promete responder. A ideia é aumentar a exposição do partido, mas não se fala sobre antecipação das prévias. "Vamos intensificar a campanha de oposição ao governo e entrar com a campanha no segundo semestre", disse o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). A ofensiva terá campanha em rádio e TV, além de encontros temáticos pelo Brasil.
As inserções terão como mote apontar falhas do governo Lula. Os tucanos vão explorar as medidas para taxar a poupança e ineficiências do programa Minha casa, minha vida. "Estamos preocupados com a comunicação do partido", disse o secretário-geral do PSDB, deputado Rodrigo de Castro (MG). Para ele, uma resposta forte ao crescimento da pré-candidata do governo é acelerar as negociações sobre as alianças estaduais para 2010.
DEM e PPS gostariam que os tucanos já estivessem em campanha. "O PSDB adora ficar em cima do muro. É tanta tucanice que acaba prejudicando. A Dilma já está em campanha e quem ganha com isso é o governo. A oposição só perde", disse o vice-presidente do PPS, Geraldo Thadeu.
Na pesquisa CNT/Sensus, o governador José Serra vence todos os cenários quando se faz o levantamento estimulado, com lista pré-determinada de candidatos. Ele atinge seu maior percentual (45,9%) quando concorre com Heloisa Helena (PSol), que aparece com 13,3%, e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias, com 10%. A ministra Dilma tem entre 22,3% e 27,8%. O menor índice é aferido quando ela concorre com José Serra (38,8%), Heloisa Helena (10,3%) e Ciro Gomes (9%). Enquanto Serra teve queda de 5,3 pontos, a chefe da Casa Civil registrou crescimento que varia de 7,9 a 13,9 pontos percentuais. A aprovação pessoal de Lula chegou a 81,5% em maio contra 76,2% em março. O índice se aproximou do recorde histórico de 84%, registrado em janeiro deste ano.