Brasília - Durante entrega de obras no complexo de favelas do Alemão, no Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao lado da ministra Dilma Rousseff, voltou a afirmar, ontem, que está impedido de falar em campanha. No entanto, disse que vai eleger seu sucessor. "Eu não preciso falar, mas todo mundo sabe que nós vamos ganhar as eleições de 2010. Quando chegar a hora certa, nós vamos para a disputa. E nós temos que ter clareza. Temos que aprender a ver quem é aquele que vai chegar na hora e vai prometer o céu e quem é aquele que vocês sabem que está junto de vocês", disse.
O público respondeu em coro de "Fica, fica, fica (Lula)" e "Dilma, Dilma, Dilma", ao que o presidente se dirigiu à ministra, sua pré-candidata à sucessão, e, segurando sua mão, fez com que ela se levantasse para receber os aplausos. A ministra afirmou que o Brasil tinha parado, em termos de investimento, até o início do governo Lula. "Tivemos que nos esforçar muito para voltar a fazer (obras)", disse Dilma.
Mais cedo, na visita a obras no complexo de Manguinhos, ao lado do governador Sérgio Cabral (PMDB), Lula havia brincado ao afirmar que não é ele quem fala em campanha nos eventos, mas o povo. "Espero que a profecia que diz que a voz do povo é a voz de Deus esteja correta nesse momento". O presidente também pediu à população que não vote em vigaristas. "Esse país pode ser diferente se a gente aprender a não eleger vigarista, se a gente aprender a eleger pessoas que têm compromisso com o povo", afirmou. "(Precisamos de) pessoas que não tenham medo de pegar na mão de um doente, abraçar um pobre, um negro". No último dia 14, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) isentou o presidente e a ministra da acusação da oposição de fazerem campanha antecipada.