Psicologia e alguns episódios do seriado americano Desperate housewives ajudaram Adriana Garambone a compor a intrigante dona de casa Maura, personagem que interpreta em Poder paralelo, da Record. Até porque, dar vida a uma mulher que se anula completamente para servir os filhos adolescentes e o marido não tem absolutamente nada a ver com o perfil da atriz que, fora da ficção, sempre se dedicou exclusivamente à carreira.
 Foto: Luiza Dantas/CZN |
"O gostoso da minha profissão é esse: sentir o que uma mulher como a Maura, que se dedica há 20 anos à família e aos filhos, sente. É entrar na pisicologia de outra pessoa", argumenta a atriz, admitindo que vai sofrer muito quando Maura descobrir que o marido Bruno (Marcelo Serrado) a trai há anos. "Eu incorporo mesmo!", justifica, entre risos.
Adriana conta que, assim que foi escalada para viver a Maura, teve de "cortar um dobrado" para convencer que é mãe de três filhos crescidos na trama de Lauro César Muniz. Afinal, apesar de não ser mais tão novinha assim - elatem 37 anos -, está para lá de enxuta. E ela, que não tem filhos, nem de longe aparenta ser mãe de jovens na faixa dos 20 anos. "No início, fiquei preocupada. Mas depois percebi que há muitas mães como a Maura, que tiveram filhos ainda muito jovens", analisa, não demorando para se explicar.
"Cheguei à conclusão de que, se acreditar que aquelas crianças são mesmo minhas filhas, ninguém vai duvidar. Não importa a quantidade de pé-de-galinha que tenho ou não", acredita ela, que na trama é mãe dos atores Guilherme Boury, Fernanda Nobre e Rodrigo Simas. Mas se a atriz teve dificuldade para dar credibilidade à figura de mãe que seu papel exigia, o mesmo não aconteceu na hora de incorporar uma mulher traída. É que Adriana já teve a chance de interpretar também na Record, em Amor e intrigas, a charmosa Débora, que também enfrentou a traição.
Entrevista // Adriana Garambone
Fora da ficção, você se diz completamente diferente da Maura. É mais difícil viver um papel tão oposto à sua realidade?
É mais atraente. Acho, inclusive, que é essa diferença e essa complexidade o que mais me atrai nos papéis que interpreto. Por exemplo, não optei pelo casamento, nem pela dedicação total à família. A minha vida inteira optei pela carreira. Não que eu não queira ou não pense em ter filhos, constituir uma família. Ou que eu ache errado quem optou por seguir essa direção. Mas essa foi a minha escolha até agora. E com a Maura estou tendo a oportunidade de olhar para essa mulher que teve a opção de se dedicar ao marido e aos filhos e ver como é que é, entender o que é que leva essa criatura a ter esse comportamento.
É essa vivência do personagem o que mais te atrai na profissão de atriz?
Sem dúvida. Quando tenho uma chance dessas, de viver as emoções de uma pessoa tão diferente de mim, é uma delícia. Sento no divã da Kátia Achcar, que é psicóloga e a minha "coach" na novela, e ajo como se a Maura estivesse lá. Me pergunto: que mulher é essa? Tento entender e sentir o que ela está sentindo naquele momento. Porque, dessa forma, vivo o personagem.
E como atriz, o que você sente hoje?
Estou muito feliz, me sentindo respeitada. Sinto que meu trabalho está sendo bem valorizado aqui na Record. Estou fazendo bons personagens em uma novela atrás da outra. E não há nada melhor para um ator: a oportunidade de ter um trabalho contínuo na TV.