Mães com mania de limpeza prestam um desserviço aos filhos. Na tentativa de protegê-los do ataque de bactérias, fungos e outros microorganismos, acabam colocando o filho dentro de uma bolha: não deixam que engatinhem no chão ou levem objetos à boca. A assepsia exagerada, além de isolar o bebê no contato com o mundo, pode causar problemas respiratórios graves e deixá-los pouco imunes a doenças, como resfriados e asma. O alerta é dado pelo biomédico paulista Roberto Figueiredo, o Dr. Bactéria, como ficou conhecido pela televisão, que esteve em recente passagem pelo Recife para participar de um congresso.
 Márcia Peixoto, 28 anos, mãe de João Guilherme, 6 meses, esteriliza as mamadeiras, mas deixa o filho engatinhar à vontade Foto: Ines Campelo/DP/D.A Press |
Segundo o Dr. Bactéria, o excesso de limpeza é "péssimo" para a criança. "A maioria das pessoas pensa que as bactérias fazem mal, mas é o contrário. A gente vive com elas uma espécie de simbiose. São elas as responsáveis por muitas vitaminas que absorvemos, assim como pela degradação da celulose no intestino", explica. Outro papel fundamental das bactérias é fortalecer o sistema imunoficiente. Quanto mais contato com areia e os animais a criança tiver, mais forte ela será.
A preocupação excessiva é comum, sobretudo, nas mães de primeira viagem. Elas temem que o bebê, sujeito a situações supostamente de sujeira ou contaminação, contraia verminoses e diarréias. De fato, recéns-nascidos até o primeiro ano de vida devem receber atenção redobrada. Fraldas, mamadeiras, chupetas e lençóis devem ser limpos e trocados com frequência. Mas o zelo não deve impedir que a criança engatinhe ou leve objetos à boca para mastigar. "Até um ano, a criança está na fase oral. Elas demandam alerta maior, mas os pais não devem exceder", diz dr. Bactéria.
Alguns cuidados são, sim, essenciais até o primeiro ano de vida do bebê. Após essa idade, a atenção é igual a qualquer adulto. Para esterilizar a mamadeira, por exemplo, é preciso fervê-la por cinco minutos. Outra dica é lavar o pano do bebê com água e sabão e, após secar, passar sob ferro quente. Atos simples de limpeza, amparados pelobom senso. É o que faz a procuradora municipal Márcia Peixoto, 28 anos, mãe de João Guilherme, de 6 meses. Apesar de ser mãe novata, ela não exibe neura alguma em termos de asseio. "Tento criar da forma mais natural. Tenho preocupação em esterilizar a mamadeira e os utensílios", detalha Márcia. "Mas, quando levo para passear no Parque da Jaqueira, deixo engatinhar na grama".