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Eden, de Costa-Gavras, abre o Cine PE
Depois de 40 anos, cineasta grego é homenageado pelo país que proibiu a exibição de sua obra durante a ditadura
Júlio Cavani
juliocavani.pe@diariosassociados.com.br


Em 1970, o filme Z, dirigido por Constantin Costa-Gavra, foi censurado no Brasil, que vivia sob regime ditadura

Foto: Pathé/Divulgacao
militar. Depois de 40 anos, o cineasta grego agora é homenageado pelo mesmo país que proibiu a exibição de sua obra. Ele vai estar presente hoje no Recife, na abertura do Cine PE, onde exibe seu novo longa-metragem Eden à l'ouest.

As forças que impediram Gavras de transmitir sua mensagem não são mais as mesmas, mas o diretor ainda não desistiu de seu cinema político e cerebral. Se antes ele denunciava como o poder capitalista agredia os direitos humanos, agora seu alvo são os implícitos sistemas de exclusão que regem as relações sociais em todo o mundo. Filmes como Z (1969) e Desaparecido apontavam para inimigos mais explícitos, mas seus últimos trabalhos, O corte (2005) e Eden (2009), são alegóricos e denunciam formas de exclusão hegemônicas mais estruturais.

Eden à l'ouest retrata a chegada de um imigrante de país não identificado a uma praiaeuropeia frequentada por uma elite econômica que se hospeda em grandes hotéis. Ele chega ao balneário pelo mar, após se esconder em um navio cargueiro. Antes mesmo de revelar sua identidade, o visitante clandestino começa a ser perseguido e explorado pelos veranistas. Perdido nas emboscadas de sua passividade, o personagem (interpretado pelo ator italiano Riccardo Scamarcio) pode ser visto como uma metáfora das relações hierárquicas entre os países do mundo.

Além do teor ativista, os filmes de Costa-Gavras, como o próprio Éden, são marcados pelo ritmo rápido e por uma maneira cerebral e sóbria de manipular informações. Recentemente, ele voltou a filmar na Europa, mas chegou a ser adotado pelo cinema norte-americano em longas como O quarto poder (com John Travolta e Dustin Hoffman) e Muito mais que um crime (com Jessica Lange).

Os prêmios conquistados por Gavras apenas confirmam sua importância para a história do cinema internacional. Ele recebeu o Oscar de melhor roteiro por Desaparecido em 1982 e já havia sido indicado duas vezes antes (melhor diretor e filme estrangeiro por Z). No Festival de Cannes, ganhou a Palma de Ouro por Desaparecido e o prêmio especial do júri por Z, além de ter sido eleito melhor diretor com Seção especial de justiça em 1975. Em Berlim (onde presidiu o júri que premiou Tropa de Elite em 2008), venceu o Urso de Ouro com Muito mais que um crime em 1989.

Além de projetar Eden no Teatro Guararapes, o Cine PE resgata três longas do cineasta em uma mostra especial de três dias, às 16h, no Cinema da Fundação. Os filmes exibidos são Z (sexta), O corte (sábado) e Amém (domingo). Nessa visita ao Brasil, Costa-Gavras não vai passar por São Paulo e Rio de Janeiro, o que vai atrair as atenções da mídia nacional para o Recife.


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Edição de segunda-feira, 27 de abril de 2009 
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