Quatro alunas do curso de artes plásticas da Universidade Federal de Pernambuco se uniram, em 2006, com um
 Ana Luisa e Clarissa preparam nova edição da revista para maio e reformularam o site para estimular o debate. Foto: Julio Jacobina/DP/D.A Press |
objetivo: acompanhar toda a programação do Spa das Artes, evento recifense que congrega a produção contemporânea de artes plásticas. Durante uma semana, Clarissa Diniz, Ana Luisa Lima, Renata Nóbrega e Silvia Paes Barreto conferiram exposições, instalações, performances e até festinhas. Um dia antes da programação terminar, elas se reuniram para compartilhar impressões escritas em textos, editá-los e criar a programação visual de um produto impresso que seria lançado no dia seguinte. Assim, no período de uma semana, surgiu a Revista Tatuí de Crítica de Arte.
A publicação partiu da tentativa de contradizer a teoria do distanciamento do crítico de arte. "Nós tínhamos relações pessoais com alguns daqueles artistas que estavam na mostra, mas acreditamos que isso não atrapalharia na emissão de juízo sobre os trabalhos, ao contrário da crítica tradicional", explica Clarissa. "Pensamos no crítico assumindo a função de espectador, com todos os aspectos subjetivos a que ele está submetido, assim como o artista. Discutimos a forma como as críticas de arte são feitas hoje e como são liberados os editais de fomento, por exemplo. A partir de projetos bem acabados, estruturados, que não acontecem na prática", complementa Ana Luisa.
Desde 2006, cinco edições da Tatuí já foram lançadas. Renata e Silvia deixaram a equipe da revista, mas outras pessoas se agregaram. A produção, por exemplo, é de Bebel Kastrup. O mesmo exercício de crítica de imersão se repetiu na terceira edição, mas de um modo geral, as revistas são temáticas e reúnem textos - acadêmicos ou não - de colaboradores de diversas áreas do conhecimento: artistas, professores, críticos, filósofos, sociólogos. A número 4, por exemplo, debateu a coerência na arte. A edição seguinte trouxe a questão do tempo passado na arte contemporânea.
Pesquisa - A formação em artes plásticas não faz com que Clarissa e Ana Luisa se reconheçam como artistas. "Somos pesquisadoras, críticas de arte", se definem. "Isso porque o meu pensar não é artístico e sim, de desdobramentos da arte", defende Clarissa. Isso não as impede, no entanto, de fazerem incursões pelo mundo artístico. Ana Luisa lembra, por exemplo, uma performance que fez no início da faculdade, usando um relógio de parede da sua casa. "A emoção daquele momento foi tamanha que, no outro dia, o meu corpo estava exausto. É importante entender e, mais que isso, vivenciar como é esse processo para o artista", explica.
Uma nova edição da Tatuí deve ser lançada no mês que vem. Fernando Peres e Daniela Brilhante estão fazendo a parte gráfica (que antes ficava sob a responsabilidade do artista plástico Bruno Vilela), enquanto Cristhiano Aguiar faz as revisões dos textos, que devem tratar sobre política, no âmbito cultural, e de como as obras do artistas desta geração têm tomado sobre si a discussão e função políticas. Em paralelo, a edição número 7 já está sendo idealizada edeve ter textos sobre formas recentes de organização social na arte, como os coletivos de artistas e a própria Tatuí.
As publicações recebem o apoio do Sistema de Incentivo a Cultura da Prefeitura do Recife e do Funcultura. A verba possibilitou ainda a reformulação do site (www.revistatatui.com), embora as artistas estejam sempre em busca de parcerias para incrementar o produto final. "Queremos que o site tenha um conteúdo exclusivo, que sirva para o debate e reflexão e não como uma agenda cultural. Não é esse o nosso propósito", confirma Clarissa. Uma das novidade é que o conteúdo do site será bilíngue. "Ludmila Porto e Denise Pierrotti estão trabalhando na tradução", anuncia Ana Luisa. A participação e colaboração na revista e, principalmente no site, são livres. Os textos e sugestões podem ser enviados para o e-mail revistatatui@gmail.com .
No próximo dia 9, a revista (que é vendida na Livraria Cultura por R$8 e tem os três primeiros números esgotados) vai lançar os números que ainda estão disponíveis emPernambuco e Natal (Rio Grande do Norte). Na fronteira entre as delimitações de uma revista cultural e uma publicação acadêmica, o que a Tatuí propõe é a reflexão sobre a arte. "É isso que estamos buscando. Discutir e debater temas relacionados à arte que nos inquietam", finaliza Clarissa.