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Animais sacrificados. Até quando?
Entidades de defesa denunciaram que entre dezembro/08 e janeiro passado, 4 mil cães e gatos foram mortos no Recife
Júlia Kacowicz
Juliakacowicz.pe@diariosassociados.com.br


Sandy vivia pelas ruas do bairro da Madalena até se deparar com Tarciso Barros. Foi amor à primeira vista. No dia seguinte, ele levou a gata albina para casa. Na verdade, para a empresa onde trabalha. Sem nem ter consciência total do seu ato, Tarciso garantiu um lar e salvou uma vida. Sandy deixou de integrar a triste estatística dos animais que são recolhidos pelo Centro de Vigilância Ambiental (CVA) e recebem como esperança o prazo de três dias. Se não forem resgatados depois disso, eles são mortos. Um número que chega a 400 por mês no CVA do Recife, podendo ser ainda maior segundo entidades de proteção. O alarmante número de 4 mil mortes, num período de dois meses, foi denunciado por alguns ativistas.

De acordo com a entidade Ativistas pelos Direito dos Animais (ADA), cerca de 4 mil animais teriam sido mortos no CVA entre dezembro do ano passado e janeiro deste ano. O número surpreendeu os defensores dos animais como a presidente da Associação dos Amigos Defensores dos Animais e do Meio Ambiente (Aadama), Maria Padilha. "Isso foi resultado de paralisação nas eutanásias e acúmulo de animais, o que destaca o absurdo praticado ainda por aqui. É um atraso", destacou. A Prefeitura rebateu o número e disse que o total de animais mortos foi de 7 mil em 2008.

Maria Padilha informou que as entidades marcaram reuniões com a Prefeitura e apresentaram sugestões. "É preciso reabrir a clínica do CVA pois o sistema público não pode ser apenas para o sacrifício", ressaltou, indicando a necessidade de uma política integrada para o controle populacional. "As carrocinhas começaram a ser utilizadas para combater a transmissão de doenças, as zoonoses, mas não se justificam mais. É um sistema muito atrasado e cruel", afirmou. O principal ponto falho, de acordo com as entidades, é que o extermínio não acompanha o ritmo de reprodução dos animais. Sendo, assim, inútil capturar e matar os animais abandonados e de rua enquanto uma quantidade maior nasce. O combate ao sistema decontrole populacional por eutanásia foi o tema do II Fórum do Movimento Recife Contra a Carrocinha, realizado no início deste ano por entidades pernambucanas

Controle - De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o controle de natalidade de cães e gatos e a imunização dos animais são as principais formas de controle populacional desde 1992. Com base nessa prática, o projeto de Veterinário Solidário cresce entre os especialistas pernambucanos. A veterinária Alessandra Melo dedica suas quartas-feiras para castrar e esterilizar animais carentes há oito anos. Os animais atendidos são exclusivamente indicados por ONGs que conhecem proprietários responsáveis e interessados em cuidar dos cães e gatos. "A castração é a melhor maneira de controle porque, mesmo que sejam abandonados, não irão aumentar a população", defendeu.

Bem cuidados, os animais ainda ganham a chance de serem adotados como aconteceu com Sandy. O amor que nasceu de Tarciso se estendeu a todos os funcionários da empresa. "Decidimos cuidar dela eela ganhou vários fãs. Se alguém sair da empresa, outros vão manter os cuidados", disse um dos "pais".

Leia mais sobre adoção de animais no Pernambuco.cão

Saiba como adotar

l É simples adotar animais do CVA. Basta ir até a sede, na Rua Antônio da Costa Azevedo, em Peixinhos, Olinda

l O futuro companheiro deverá assinar um termo de responsabilidade, comprometendo-se a não abandonar o animal e a devolvê-lo ao CVA caso não queira mais ficar com ele

l Do CVA, o animal sai vacinado contra a raiva. No caso de adoção de outros locais ou quando os animais são ainda filhotes, é necessário ficar atento ao cronograma de vacinação

l Antes das vacinas, os bichos devem ser vermifugados aos 15 dias de vida e receber o reforço aos 30 dias

l Filhotes não devem ser vacinados com menos de 45 dias e depois disso é preciso manter visitas regulares ao veterinário

l A posse responsável requer cuidados médicos e sociais. Se for adotar, o interessado deve se comprometer a garantir uma vida digna ao animal e não abandoná-lo

Fonte: Prefeitura do Recife e veterinários


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Edição de terça-feira, 21 de abril de 2009 
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