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Opinião



"Torturado e finalmente assassinado Celso Daniel, a conclusão policial foi de assalto" - Jarbas Passarinho

Entre o aparelhamento do estado e o assassínio

Jarbas Passarinho // Ex-governador, senador e ministro de estado

opiniaoartigo.pe@diariosassociados.com.br

Cientistas políticos afirmam que a missão dos partidos políticos, na democracia, é, se na oposição, conquistar o poder e, se nele, manter-se. Os ideais tenentistas consubstanciaram-se na revolução de 1930, levando Getúlio Vargas ao governo por 17 anos não consecutivos, duração de que se queixou "por achar pouco". Os militares brasileiros em 1964 desencadearam um golpe de Estado preventivo, forçados pelo envolvimento na guerra fria e duraram duas décadas no governo de que participaram civis de renome técnico. O apoio à candidatura de Fernando Henrique Cardoso, em 1994, foi opção por um professor de formação marxista, mais aceitável que o Lula, presidente do PT, com viés revolucionário. Seu plano era governar por 20 anos, mas o segundo mandato dos tucanos enfrentou as crises de países capitalistas amigos, com reflexo no Brasil, e o "apagão" da eletricidade, fatais para a desvalorização violenta do real e aperda de popularidade. Então, o PT foi vitorioso, mas teria de vencer o "beijo da morte, que enfrentam os governantes quando não trazem, com eles, a maioria no Legislativo. Encarregou-se disso o ministro da Casa Civil, José Dirceu, alugando votos de deputados venais na operação apelidada de mensalão. Lula, no seu estilo hiperbólico dissera que jamais houve ou haveria, "nesse país", em toda a história republicana, um presidente da república tão honesto e eficiente quanto ele. A eficiência comprovou-se. A honestidade não. José Dirceu tinha um assessor imediato de nome Waldomiro Diniz, encarregado da ligação e negociação com os deputados da base aliada. Os deputados o chamavam de "ministrinho". Filmado extorquindo um negociador de jogos, só pediu para ele mesmo 1% do valor da extorsão. Modesto, reconheça-se. A oposição ensaiou uma CPI, no Senado, que a despeito de satisfazer todos os requisitos constitucionais, não foi instalada sequer, pois José Dirceu não podia ser investigado. Até hoje Waldomiro não prestou contas à Justiça.

Idealizou-se novo plano de manutenção no poder, por muitos anos: o aparelhamento do estado. Tem tido bom sucesso, uma vez instalada a república sindicalista. Tão logo tomou posse, Lula nomeou 400 sindicalistas para funções de confiança, particularmente nas estatais e para controlar ministros de estado não petistas, ocupando funções vitais abaixo do ministro. O PT trazia a experiência na conquista de prefeituras importantes, especialmente em São Paulo. Todos os prefeitos colaboravam com a caixa 2 ,"por fora", para o partido. Ao que se sabe, Santo André entrava na corrupção pela concessão de renda de contrato de companhias de ônibus. Lula indicou, na quarta campanha, em 2002, que seria vitoriosa, o prefeito Celso Daniel, por quem tinha grande admiração, para geri-la. Em janeiro, todavia, o prefeito foi assassinado. Lula, no velório, emocionalmente abalado, chorou e bradou que aquele crime não ficaria impune. Celso havia contado a seus irmãos que os membros mais destacados do PT sabiam do esquema de corrupção, com o qual, tudo indica, rebelou-se. Com seu antigo guarda-costas, que se fizera dono de companhias de ônibus até no Ceará, voltava de um jantar quando foi sequestrado sem que nada acontecesse com seu protegido. Torturado e finalmente assassinado Celso Daniel, a conclusão policial foi de assalto, logo contestado por promotores do Ministério Público de São Paulo. Após isso, Lula calou-se. Seguiu-se, porém, a morte sucessiva e misteriosa de oito pessoas, que não foram ouvidas e possivelmente teriam o que dizer sobre o crime. Um dos primeiros a morrer foi o garçom que serviu a mesa do restaurante onde ouviu parte dos diálogos entre Daniel e Sombra, alcunha pela qual é conhecido o desavindo protegido do prefeito. Preso, o provimento, pouco depois, pela Justiça, de um hábeas corpus permite-lhe defender-se em liberdade. Os irmãos de Celso Daniel não se conformaram e se empenham em elucidar o crime. Passaram a ser ameaçados de morte, e foram buscar, na França, asilo político. A estratégia para a manutenção no poder prossegue tranquilamente há sete anos, não pelos meios que usaram Getúlio, os militares e os tucanos, mas pelo aparelhamento do estado. Há dias, se vivo, Celso Daniel teria feito 58 anos em 16 de abril corrente. O Estadão publicou um artigo comovedor de Bruno José Daniel Filho, irmão de Celso. Escreve da França. Revolta-se: "Apesar de todas as evidências colhidas pelo MP, que mostraram que o crime foi planejado e que há, pelo menos, um mandante, a última testemunha de defesa de Sombra ainda não foi ouvida, pois nunca é encontrada". Bruno estranha e se bate para ser Sombra julgado pelo júri popular, onde espera surgirem novas provas. Pergunta Bruno: "Quais são as pessoas e instituições que têm interesse em que nada seja resolvido?".

Não se trata de um paranóico, mas de um irmão que, chantageado por quem diz que sua campanha manchará a imagem de Celso, não se rende. Acha que a mancha não atinge o irmão morto, mas "os que matam, tentam ocultar assassinos e continuam agindo com os mesmos mecanismos que levaram à sua morte". Os mecanismos chegariam até ao assassínio de mais oito e à intimidação da família de Celso?

A França e o Brasil: parceiros estratégicos

Antoine Pouillieute // Embaixador da França no Brasil

opiniaoartigo.pe@diariosassociados.com.br

Graças a valores compartilhados, a uma inegável proximidade intelectual e a uma mesma visão política, a França e o Brasil constituíram um sólido capital de simpatia e admiração recíprocas. Essa herança não é um patrimônio adormecido, mas um fermento para a ação futura de modo a construir, ao invés de assistir à construção do novo século.

Em 2005, o ano do Brasil na França - intitulado "Brasil, Brasis" - fez com que os franceses conhecessem o Brasil em toda sua diversidade, sua riqueza e sua criatividade.

O ano da França no Brasil, que será inaugurado neste 21 de abril e encerrado em 15 de novembro de 2009, responde à mesma ambição apresentando a face de uma França moderna, diversificada e aberta:

- moderna na criação, na inovação e na pesquisa, na liderança do debate de ideias;

- diversificada em sua população,seus conhecimentos e seus territórios;

- aberta ao mundo e aos outros: na África, no Caribe ou na AméricaLatina.

O ano da França no Brasil tem a aspiração de tornar mais conhecido esse povo de um destino em nada parecido com qualquer outro, através de seu projeto político, sua ambição internacional ou sua diversidade cultural: da música à mídia, do espetáculo vivo à escrita, dos intercâmbios universitários ao audiovisual, das exposições artísticas aos fóruns tecnológicos... O evento sairá das metrópoles mais conhecidas para se instalar no maior número de Estados brasileiros e dirigir-se assim a todo tipo de público. O objetivo será apresentar uma imagem contemporânea da França, mesclar ciência e arte, colocar a economia ao lado da cultura, realizar em parceria uma abordagem dos projetos a fim de garantir a sua perenidade, com um espírito de enriquecimento mútuo.

Esse diálogo confiante deve ser colocado a serviço de um objetivo mais ambicioso ainda. Ligados por uma parceria estratégica, nossos respectivos países têm a ambição de, juntos, possuir mais peso nos negócios do mundo. Por terem uma visão comum, eles devem empreender uma ação convergente. Atores globais que compartilham os mesmos valores democráticos e sociais, a mesma ambição de construir um mundo mais justo, aberto e diversificado, eles acreditam que sua mensagem será melhor ouvida se for apresentada de concerto. A França tem a convicção íntima de que o Brasil é um "grande" do século 21: ela pretende portanto ajudar o Brasil a dispor das ferramentas dos "grandes". Para isso, ela impulsiona duas alavancas da qual muito poucos países dispõem simultaneamente: sua influência política e sua soberania tecnológica. A primeira a faz militar por um Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e como parceiro por inteiro de um G-8 transformado em G-14; a segunda a autoriza a decidir sozinha a respeito das transferências que permitam ao Brasil constituir capacidades nacionais mais robustas.

Essa convicção, reafirmada veementemente pelo Presidente da República em sua visita ao Brasil em 23 de dezembro de 2008, tem por base uma análise política e uma visão estratégica partilhadas com o Brasil. É exatamente por essa convicção ser comum que nossos países voltam-se naturalmente um para o outro a fim de enfrentar os desafios do momento: os de um mundo em crise, de uma globalização a ser regulada, de uma segurança coletiva pela qual o esforço deve ser compartilhado. O ano da França no Brasil será, com certeza, um momento forte da relação franco-brasileira. A presença do Presidente Nicolas Sarkozy ao lado do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva no próximo dia 7 de setembro, em Brasília, dia da festa nacional brasileira, com a participação de tropas francesas no desfile brasileiro, também será um de seus momentos marcantes. Para além das palavras, a França e o Brasil trabalham intensamente a fim de alinhar as provas de uma parceria autenticamente estratégica. Como? Tratando do fundo das preocupações de duas grandes nações unidas por uma mesma ambição: ser os atores de seu destino.

21 de abril: Dia da Inquisição

Pedro de Albuquerque // Escritor

pedroalbuquerque@gmail.com

Hoje, não é apenas data nacional de Israel. Mas, uma vitória das federações israelitas dispersas por todo o Ocidente. Também uma vitória de todas as entidades democráticas de luta das minorias por inserção e igualdade social contra a opressão dominante e os regimes totalitários. O que faz discernir que qualquer forma de dominação social, seja de direita ou de esquerda, laica, ateia, teocrática ou de economia planificada, é sempre crime hediondo contra a humanidade por coibir a livre consciência. É preciso, pois, manter viva memória dos horrores do Nazismo. Também, do absolutismo sanguinário de Stalin com os seus sessenta milhões de assassinados. Quase dez vezes mais do que Hitler. Dentre os quais milhões de camponeses indefesos a quem os líderes da Revolução Bolchevista juraram defender e promover.

Bem, hoje não é o Dia da Inquisição. Sim do Holocausto: Yom Ha-Shoah, em que se celebra a heroica insurreição do Gueto de Varsóvia em 19 de abril de 1943 contra as forças do III Reich. Dia do resgate da dignidade do povo judeu. Dia de irrestrita e incondicional solidariedade de Israel e a Diáspora. Dia de honrar José Al Buquer: líder da resistência judia na Argélia e coordenador do desembarque das "Tropas Aliadas" de libertação do Norte da África. Ler Howard Sachar em seu: "Farewell España: A Sephardi Remembrance".

Mas, deveria mesmo ser o Dia da Inquisição em fato e razão do Holocausto ter sido o "grand finale" da satânica Ópera da Inquisição. Um processo instaurado pela Igreja de Roma, a perdurar por setecentos anos, para o aniquilamento da identidade de um povo pela supressão da sua memória. Contando, o terror religioso, inúmeras vítimas emparedadas vivas no Limoeiro (Palácio da Inquisição, hoje, desrespeitosamente, o mesmo prédio do Teatro Nacional de Lisboa ) ou mortas calcinadas em fogueiras no seu pátio externo: atual Praça Dom Pedro I. Isto em sádicos festivais de toda farra e pompa: os Autos de Fé. Com bispos e cardeais ostentando os seus ricos paramentos custeados com os haveres usurpados dos condenados, cujos filhos eram remetidos à Casa dos Órfãos. De lá, as "fêmeas" vendidas para as colônias onde faltavam mulheres brancas e os "machos" mandados como escravos para a Ilha da Madeira. Ou vendidos, em sua maioria, aos potentados do Império Otomano para serem castrados e lá servirem de eunucos ou de amantes passivos. Isto com a receita das suas vendas revertida em favor das ordens religiosas Franciscana e Dominicana: cuja indumentária negra inspirou o figurino das "SS" dos campos alemães de extermínio.

Também, dia de se refletir sobre a pequena Anne Frank, condenada pela covardia. A covardia de todos nós quando silenciamos ante as forças de ideologização a serviço do totalitarismo. Qualquer totalitarismo. Contemporaneamente o do Hamas: flagelo do Povo Palestino em Gaza. Quando da minha última estada em Amsterdã, trinta breves dias, um lapso de eternidade, estive no refúgio de Anne Frank no sótão de um antigo sobrado. Dos muitos sobrados daquela cidade que somente respira o amor, a liberdade, a tolerância, a fraternidade e a igualdade. Isto sem o olor de Paris: de sangue derramado. É que toda revolução é assassina. Amsterdã, a cidade da esperança dos nossos antepassados, sobre a qual a Inquisição, por derradeiro, deitou a sua tenebrosa sombra na versão da cumplicidade tácita da Concordata do Papa Pio XII: o Holocausto.

Dia de se refletir sobre os milhões de vítimas da Inquisição. Vítimas até hoje. Todos nós cristãos-novos de batismo forçado: "judeus-velhos" no dizer do Padre Antônio Vieira. Todos nós brasileiros de mais ou menos acentuada ascendência ibérica e, ou, de mais ou menos acentuada ascendência europeia oriental. Ou dessas duas etnias com os tupynabah e com outros mais das muitas tribos de África miscigenadas: brasilidade!

Nordeste: um ambiente de oportunidades para franquias

Feliciano Ramos // Diretor da Montte Empreendimentos.

feliciano@montte.com.br

Terceiro principal mercado consumidor do país, os estados do Nordeste concentram 51 milhões de habitantes, oferecendo enorme potencial para a expansão de franquias. A comprovação está no varejo local, que registra crescimento acentuado e bastante superior à média observada no restante do país.

Os investimentos em infraestrutura, os novos polos industriais - principalmente em Pernambuco; Bahia e Ceará - e os programas de incentivos apresentados pelo atual governo federal impulsionam a economia regional para um novo cenário de desenvolvimento. Esses fatores geram novas perspectivas para o sistema de franchising que, apesar de ter movimentado R$ 35 bilhões no último ano, registra participação ainda relativamente pequena no varejo do Nordeste, ocupando apenas 20% dos espaços comerciais em alguns shoppings da região.

As construções de novos shoppings nas principais capitais e também nas maiores cidades do interior do Nordeste, mudando a paisagem econômica regional, despertam o interesse das maiores redes, que já descobriram a região como sendo a melhor opção de expansão dentro do país no momento. Mas, as oportunidades não são apenas para as empresas com sede em outras regiões. As empresas de franquias com base no Nordeste também aproveitam o crescimento regional para se expandir.

A tendência é os franqueadores procurarem cada vez mais o mercado nordestino, deixando o eixo Sul-Sudeste. Um dos fatores é o aumento do poder aquisitivo da população nessa região. Com mais dinheiro, o consumidor nordestino tem condições de adquirir marcas antes inacessíveis a determinados bolsos. E a marca é o fator mais importante das franquias. Anos atrás você não conseguia viabilizar um negócio deste tipo no Nordeste.

Entre as principais cidades, Recife se destaca por ser o maior polo originário de marcas de franquias do Nordeste e sétimo mercado do país. A cidade ainda tem o segundo maior centro de compras do Brasil, com mais de 142.000m2 de área construída. Para o mercado de franquias, Recife é história, é presente e também é futuro. A vocação para as atividades terciárias impulsiona o turismo de negócio como um segmento econômico em ascensão na capital pernambucana, porta de entrada para o turismo no Nordeste e no Brasil. Sua posição geográfica proporciona uma perfeita logística para a realização de um evento de porte, como a Franchising Nordeste, oferecendo ainda uma ótima infraestrutura hoteleira e um polo gastronômico de alta qualidade.

De olho nesse mercado e em perfeita sinergia com os novos rumos do mercado mundial de franchising, e ainda oportunizando novas alternativas de investimentos para a maioria dos empreendedores da região, apresento a edição 2009 da Franchising Nordeste - Feira de Negócios para Franquias, que acontece entre os dias 22 e 25 de abril no Centro de Convenções de Pernambuco. Um evento com a marca da Montte Empreendimentos em parceria com a Associação Brasileira de Franchising (ABF), CDL e Aloshop/PE.

O Nordeste cresce. E o Brasil se desenvolve com iniciativas pioneiras e arrojadas de empreendedores como você. Bons negócios!


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Edição de terça-feira, 21 de abril de 2009 
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