Em 16 anos de carreira, Murilo Benício nunca tinha tido a chance de encarnar um policial na TV.
 Foto: Renato Rocha Miranda/TV Globo |
Talvez por isso o ator exiba tanto entusiasmo ao discorrer sobre o honesto Tenente Wilson de Força-tarefa, série da Globo dirigida por José Alvarenga. Na pele do braço-direito do Coronel Caetano (Milton Gonçalves), chefe da corregedoria da Polícia Militar - ou seja, a equipe de policiais que investiga e assegura a disciplina e a apuração dos desvios de conduta da corporação -, Murilo tem descoberto um mundo que desconhecia: o da polícia da polícia.
"O personagem me fez pensar muito em tudo que se tem de abrir mão para ser uma pessoa absolutamente honesta no Brasil", filosofa. Apesar de já ter vivido bandidos em sua trajetória, Murilo confessa que cortou um dobrado para aprender a segurar a arma da maneira correta. "Descobri que não sabia segurar uma arma como policial. No início, foi uma dificuldade para mim. Mas o elenco me ajudou muito", lembra ele, ressaltando que agora está se portandocomo um autêntico Tenente da Polícia Militar. Além da dificuldade inicial com o manejo da arma, Murilo também teve de enfrentar outro obstáculo: o cansaço.
Afinal, mal se libertou do safado Dodi, de A favorita, e já engatou no íntegro Wilson de Força-tarefa. A rápida transição de uma produção para outra, contudo, não incomodou Murilo. Pelo contrário. Ele está visivelmente empolgado. "O time está bem escalado. Torço para que seja um sucesso", conclui.
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Ser corrupto no Brasil é praticamente cultural"
Como você desconstruiu a imagem do Dodi? Não sou o Dodi porque interpretei o Dodi por sete meses em A favorita. Sou o Murilo. Sou um ator livre para atuar de novo. E confio plenamente no José Alvarenga. Na realidade, estava pronto para entrar de férias. Mas venho com uma parceria antiga com o Zé, desde A justiceira, em 1997. Também vivi com ele aquela peregrinação com Os amadores, que ganhava tudo quanto era prêmio e nunca ia para o ar. Então o Zé é uma parceria de quem jamais recuso um trabalho.
Força-Tarefa aborda o dia-a-dia da corregedoria, uma equipe de policiais que tem como obejtivo principal investigar os desvios de conduta da própria polícia. Como funciona?
Não sabia nem que existia. Para mim foi algo meio assim?: "mas e aí? Como é que faço?". Eu e boa parte do elenco éramos completamente leigos em relação ao assunto. Então começamos a ouvir histórias para entender mais sobre esse universo de que nunca tínhamos ouvido falar.
Qual foi, então, a opinião que você formou da polícia durante esse processo?
Vivemos em um país em que a corrupção vem da raiz, é algo histórico. Ser corrupto no Brasil é praticamente cultural. Por exemplo, tenho dois filhos que têm todos os jogos de computador imagináveis. E jamais comprei nada pirata para eles. É a minha forma de conscientização de ser um cidadão que tem esperança de que o Brasil melhore. Se 180 milhões de pessoas pensassem dessa forma, acho que o país seria bem melhor.
Você espera que o Tenente Wilson vire um personagem emblemático como foi o Capitão Nascimento, de Tropa de elite? Não. Acho que a pior coisa que se pode ter na vida é muita expectativa. A gente trabalha para que o seriado dê certo. Duvido que, em algum momento em Tropa de elite, as pessoas imaginassem que o Capitão Nascimento fosse estourar da maneira que estourou. Até porque, a história do filme é a mais inusitada do mundo. O Tropa ter sido pirateado, algo que é absolutamente reverso a tudo o que a gente quer, foi o que deu fama a ele. O futuro a gente nunca sabe. Só desejo que osucesso seja de toda uma equipe, de toda a história do seriado. É a única expectativa que tenho.