Pernambuco.com
Diario de Pernambuco
DIÁRIOS ASSOCIADOS
 


  Enviar por e-mail Comentar Imprimir  
Gastronomia // Buenos Aires é aqui
O argentino Carlos César Pereyra deixou seu país em 2002 para tornar o alfajor, uma iguaria portenha, ainda mais famosa no Recife
Pollyanna Diniz // Diario
pollyannadiniz.pe@diariosassociados.com.br


Quando desembarcou no Recife, em 2002, o argentino Carlos César Pereyra tinha R$10 no bolso.

Recheado com doce de leite ou brigadeiro, biscoito vira um sucesso nos cafés da cidade. Foto: Helder Tavares/DP/D.A Press
Era uma época de crise no país hermano. A classe média estava nas ruas fazendo panelaços, brigando contra a desvalorização da moeda. Em 12 dias, o país teve cinco presidentes, dois deles derrubados pelo povo. "Do dia para a noite, o nosso dinheiro virou pó. Quase que eu não conseguia mais pagar a passagem", relembra.

Mesmo assim, César deixou a mãe e as irmãs para experimentar a vida no Brasil. E foi aqui que a realidade ficou mais doce. Hoje, César pode ser considerado um especialista em alfajor, um tradicional quitute que, embora não tenha surgido em terras argentinas (a sua origem é espanhola), se popularizou por lá. Em cada esquina de Buenos Aires é possível comprar um alfajor, um biscoitinho recheado que virou um símbolo do país.

Logo nos primeiros meses em Pernambuco, César sentia falta da família, da cultura, da culinária. Para diminuir a saudade, bebia chimarrão. "Mas teve um dia em que me deu muita vontade de comer alfajor. Escrevi para a minha irmã pedindo a receita". Um tempo depois, César recebeu o passo a passo de como fazer um alfajor, escrito numa folha de caderno toda decorada com motivos infantis, da irmã mais nova. Mesmo sem muita familiaridade com a cozinha, a receita deu certo. Recebeu elogios dos amigos e alunos de espanhol. "Até que decidi vender. Fiz umas amostras e fui no shopping. No primeiro café que eu parei, a mulher já gostou muito e encomendou. Os outros três que visitei recusaram, mas aquele primeiro me deu um impulso enorme".

Depois de passados alguns anos, o argentino produz para cafés, restaurantes, cantinas. Além do alfajor de chocolate, tem recheio (muito farto) de brigadeiro, doce de leite, goiaba, limão. Agora ele não pensa mais em voltar à terra natal. Foi por aqui que, além do sucesso com os doces, encontrou o amor de uma brasileira, e o rúgbi, um dos esportes mais populares na Argentina, depois do futebol. "Montamos o primeiro clube do Nordeste, o Recife Rugby Club. Jogamos todos os domingos, mas sempre precisamos de jogadores novos. Não quero voltar para Córdoba. Eu amo o meu país, mas estou num estágio que não sou mais nem argentino, nem brasileiro. Virei pernambucano".

Serviço

Encomendas para Carlos César Pereyra - 9153-9426


    COMPARTILHE A NOTÍCIA Adicione ao Uêba Adicione ao Digg Adicione ao Google Bookmarks Adicione ao Technorati Adicione ao Windows Live Adicione ao Reddit Adicione ao Del.icio.us Adicione ao Facebook Adicione ao Yahoo! My Web Adicione ao StumbleUpon


Carregando Aguarde: carregando capa...
Edição de domingo, 19 de abril de 2009 
Selecione a data do
Diario que você
deseja visualizar



Procurar


Conheça o Diario de Pernambuco
Expediente | Índice geral | Versão Flip | Ed. anteriores | Acervo
Assinaturas | Clube Diario | Leitor do futuro | Signos | História
Cedoc | Informações comerciais | Admite-se | Vrum | Lugar certo

Copyright - DiariodePernambuco.com.br | todos os direitos reservados. É proibida a reprodução parcial ou total do conteúdo desta página sem a prévia autorização. Fale conosco.