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Comportamento // Geração web constrói seu código sexual
Praticar orgias e registraro sexo na câmera do celularsão experiências cada vez maiscomuns entre adolescentesde classe média
Aline Moura e Maria Carolina Santos // Diario
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É cada vez mais comum ouvir histórias de gente com menos de 18 anos que participa de festas como a do sorvete, do pijama, do cubo de gelo. Gente muito jovem que também aceita integrar orgias. Às vezes, tudo isso é filmado. E os garotos e meninas que aderem a essa prática, aparentemente, fazem tudo sem culpa e de forma natural. Os encontros são realizados em apartamentos de classe média, onde o clímax pode acontecer com troca de casais.


Pesquisador Felipe Rios diz que é preciso cuidado para não entrar numa onda retrógrada. Foto: Ines Campelo/DP/D.A Press
As aventuras apimentadas mostram que os filhos da internet já dissociam a sexualidade da reprodução e da simbologia do pecado. Mas, por outro lado, eles podem ficar expostos mais cedo a algumas experiências traumáticas e a relações sem disponibilidade para vínculos e ternura. Para a dentista Claúdia*, não foi nada fácil ouvir uma mãe contar, em sua academia de ginástica no Parnamirim, que flagrou a filha de 14 numa orgia, num apartamento em Candeias, Jaboatão dos Guararapes.

A cena abalou a relação de confiança entre as duas e deixou sequelas. A mãe pegou a adolescente de surpresa, numa balada oferecida por uma amiga de escola. Quando foi surpreendida, a garota fazia sexo oral em um menino, ao lado de outros adolescentes sem roupa e lambuzados de sorvete. E tudo só foi descoberto porque, depois de deixar a filha no prédio da amiga, a mãe voltou para entregar um sorvete de creme que a menina tanto procurou para levar à festa.

O porteiro iria receber a encomenda, mas pediu que a própria mãe entregasse. Só que a porta estava destrancada e ela flagrou a filha. Segundo a sexóloga e psicóloga Vitória Menezes, se não há diálogo entre pais e filhos e estabelecimento de limites, não adianta adotar atitudes punitivas em casos como esse. "Os filhos chegam em casa, se trancam no quarto e os pais não sabem nem que tipo de música eles gostam, quem são seus amigos, ou conversam com os pais deles. Então, não adianta punir um comportamento sexual se não há compromisso em outras áreas da vida do filho. Ser pai e mãe exige compromisso", pondera.

Vitória Menezes explicou que alguns adeptos deste tipo de orgia se sentem felizes e não apresentam qualquer trauma porque estão acostumados a cultivar relações superficiais, começando no próprio lar. "Se não há embate emocional entre as partes, não há problemas. Esse tipo de sexo é comum desde os banhos de Roma. A curiosidade faz parte do desenvolvimento e não se pode dizer que é o fim do mundo. Agora, e o 2º capítulo? Será saudável só achar graça na transgressão, no que é proibido", afirma a psicóloga. "Todo mundo já ouviu falar nesse tipo de festas com orgias. Não vou julgar quem já fez, mas eu não faria. Cada um tem sua liberdade, mas eu tenho meus limites", acrescentou a estudante Rebeca Ventura, 17 anos.

Pânico moral - O coordenador do Laboratório de Estudos da Sexualidade Humana da UFPE, Luís Felipe Rios, lembra que é preciso ter cuidado ao avaliar casos como este, para que não se entre no "pânico moral", uma onda retrógrada sobre questões sexuais. "Os movimentos sociais, nas décadas de 60 e 70, lutaram muito para dissociar sexualidade de reprodução e localizar a sexualidade num campo legítimo de prazer. Podemos avaliar positivamente alguns fenômenos que resultaram disso, como maior equidade sexual das mulheres. Antes, os homens podiam transar desde a adolescência, mas as mulheres nada podiam em relação ao sexo, sob o risco de serem estigmatizadas como fáceis", frisa. Luís Felipe acrescentou que a sexualidade vivenciada com prazer é positiva. "O modo de se divertir com o próprio corpo, sozinho, em dupla ou em grupo não deve se perder. Agora, o exercício da sexualidade deve se dar sempre num clima de consentimento mútuo", opinou. * Nomes fictícios


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Edição de domingo, 19 de abril de 2009 
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