É assustador. Quando você chega na casa B do Condomínio Rosas do Sul, tipo duplex, localizado na Avenida 20
 Nadja Freitas exibe parte da coleta da última quinta-feira: mais de 30 animais. Foto: Cecília de Sá Pereira/Aqui PE/D.A Press |
de Janeiro, em Setúbal, Zona Sul do Recife, uma cena causa arrepios. Guardados em potes de plástico ou expostos no chão, é possível encontrar mais de 30 escorpiões da espécie Titus Stigmurus, a mais comum em Pernambuco e considerada letal para crianças de até 12 anos. Os animais peçonhentos foram coletados apenas na quinta-feira em um dos oito apartamentos do local. Os "visitantes" estão tirando o sossego dos moradores e colocando em risco a vida de nove crianças que moram no condomínio. A Vigilância Ambiental da Prefeitura do Recife visitou o local na tarde de ontem, após o Diario receber a denúncia, mas informou aos moradores que eles precisavam comprar um veneno e voltar a chamar a equipe para se livrar dos escorpiões.
O descaso com o problema por parte da prefeitura já dura mais de um mês. A Vigilância Sanitária esteve no condomínio pela primeira vez no dia 12 de março, mas até ontem não tomou providências concretas para conter a praga. "Não sabemos nem que tipo de veneno comprar, porque não nos informaram. A responsável que veio aqui disse que não sabia o que era pior: se o veneno ou o escorpião. Isso é um absurdo", reclamou a dona de casa Nadja Freitas de Farias, 27 anos. Ela tem dois filhos, de 4 e 5 anos, e não tem mais um dia de sossego.
Nadja Freitas disse ter descoberto a praga na área de serviço de sua casa. O espaço estava oco e invadido por uma fossa estourada de um edifício, que fica colado a quatro das oito casas do Condomínio Rosas do Sul. O edifício, inclusive, será notificado pela vigilância. "Começamos a nos assustar porque vez ou outra aparecia um escorpião. Quando resolvemos abrir o chão da área de serviço, os bichos estavam espalhados por todos os lugares", contou.
Crianças- A dona de casa Maria Lucicleide Valentim, 36 anos, teme pela vida de sua filha Ana Carolina, 2 anos. A menina foi salva várias vezes pela mãe quando estava prestes a pegar num dos escorpiões que surgem na casa de repente. "Eles aparecem em todo lugar. E o pior é que minha filha não tem medo e vai pegá-los. Se qualquer dia desses eu me descuidar, pode até acontecer uma tragédia", protestou.
Segundo dados do Hospital da Restauração, a unidade hospitalar atendeu no ano passado 1.300 pessoas vítimas de escorpião e 251 de janeiro até ontem, mas sem registrar óbitos. O maior risco, entretanto, diz respeito às crianças. De acordo com a chefe do Centro de Assistência Toxicológica do HR, Lucineide Porto, os menores de 12 anos são mais vulneráveis porque são pequenos e reagem com dificuldade à toxidade do veneno. Por isso, ela frisou, é necessário redobrar os cuidados com os mais novos, quando há riscos de escorpião em casa. Entre as orientações, destaca-se a necessidade de afastar camas e berços das paredes, examinar roupas e sapatos antes de usá-las. Em casos de picadas, procurar com urgência o HR, único onde há soro.