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Iron Maiden leva 18 mil fãs ao delírio
Banda inglesa tocou o melhor que o heavy metal produziu nos últimos 30 anos na noite de anteontem, no Jockey Club de Pernambuco


Duas horas de uma amostra do melhor que o heavy metal produziu nos últimos 30 anos levaram 18 mil fãs ao

Performance dos cinquentões reforçou a lenda que o grupo ostenta no rock mundial. Foto: Alexandre Gondim/DP/D.A Press
êxtase na noite de anteontem no Jockey Club de Pernambuco, na Madalena, com o show da banda britânica Iron Maiden. Inútil dizer que foi uma noite histórica, já que estava predestinada a isso desde que o grupo anunciou que o Recife seria a última etapa de sua turnê sul-americana em 2009. Mas não há adjetivo mais adequado para descrever a força da passagem de uma das lendas do rock mundial pela capital pernambucana.

Depois da apresentação aqui, o grupo encerra a turnê Somewhere Back in Time em Sunrise, na Florida, amanhã. Foram 13 meses dedicados a recriar a atmosfera dos anos 80, a década de ouro da banda, quando sedimentou sua reputação como um dos inovadores da música pesada no mundo. Isso com direito às canções clássicas de seus sete primeiros álbuns, mais cenários inspirados nos da turnê do disco Powerslave, de 1984. Um espetáculo para agradar a todos os fãs.

E eles são inúmeros, como se pôde ver no chamado Areião da Madalena, mais afeito a corridas do turfe local. O evento acabou se tornando o maior do rock em Pernambuco até agora. Aqui, o Iron Maiden ganhou um novo significado: era um acontecimento pop, comparável, guardadas as proporções, às passagens de Madonna ou Rolling Stones no Rio. Durante o show, uma multidão que não teve grana para pagar o salgado preço dos ingressos arriscou subir nos muros do Jockey, apenas para serem "convidados" a descer pela polícia. O jeito foi se contentar a ouvir as músicas bebendo nas barraquinhas.

Em termos de merchandising, o espetáculo mostrou-se extremamente bem sucedido. Não só na loja dos produtos oficiais, onde as camisas, ao preço de R$ 50, esgotaram-se antes mesmo do sexteto subir ao palco, mas também nas mãos dos vendedores de produtos piratas, que negociavam camisetas de recordação do show até por R$ 10. CDs piratas com a discografia da banda em mp3 saíam a R$ 5.

Muitos ali, porém, já tinham tudo isso em casa há muito tempo. Não é exagero dizer que o show congregou fãs de todo o Nordeste. Como o cearense Reinaldo Martins, 22 anos, que perdeu aulas da faculdade de Direito e enfrentou 12 horas em um ônibus vindo de Fortaleza para assistir a seus artistas favoritos tocarem pessoalmente. "Tenho prova quinta-feira e vou estudar durante a viagem. Vale a pena porque curto a banda desde os 12 anos e sempre quis vê-los ao vivo", disse.

Para quem se preparou com tanta expectativa, a "Donzela de Ferro" não decepcionou. Os músicos subiram ao palco com uma pontualidade quase britânica, às 21h06. Cerca de meia hora depois do fim do show de abertura, a cargo da cantora Lauren Harris, cujo hard rock comum demais foi tratado com respeito pelo público, mas talvez apenas por tratar-se da filha do baixista e líder do Maiden, Steve Harris.

Assim que a atração principal começou a tocar, contudo, uma catarse tomou conta da platéia. Foi 1 hora e 50 minutos apenas, mas capazes de levar qualquer headbanger veterano ao delírio. O Maiden executa as 16 canções com uma precisão e um profissionalismo que podem ser confundidos com frieza, mas que é exatamente o que se espera de um grupo com mais de 30 anos de carreira e que conseguiu se estabelecer como um dos maiores nomes do rock mundial.

Da abertura com Aces High até o encerramento com Sanctuary, os veteranos mostraram o que é conhecer seu ofício. Alguns momentos podem ser destacados, como a massa pulando ensandecida ao som de Wrathchild, o uniforme de "tropeiro" do Exército Britânico do vocalista Bruce Dickinson em The Trooper e a entrada do robô gigante caracterizado como Eddie the Head, mascote da banda, na música Iron Maiden.

E o melhor foi a performance de Dickinson, que pulou como um menino e mostrou momentos de puro senso de humor, como quando viu a cabeça do guitarrista Adrian Smith ser coberta com uma camisa da Seleção Brasileira durante um solo e gracejou: "ah, uma camisa do Brasil de graça? É verdadeira ou é pirata?".

Bruce finalizou o show prometendo voltar ao Brasil em 2011, ao lembrar que o Maiden vai soltar um novo álbum de estúdioano que vem. Os fãs foram embora com a esperança de que fosse apenas um "até logo". A saída foi um pouco apertada, já que havia apenas um portão para todas as seções (o único "porém" da excelente produção do show), mas pacífica. (Tarcísio Ferraz)


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Edição de quinta-feira, 2 de abril de 2009 
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