O Democratas deu o pontapé inicial da "Caravana da Cidadania Fiscalizando o PAC" ontem, no Recife, e não foi poupado no último local visitado, o bairro do Jordão, onde foi cobrado o revestimento e dragagem do Canal do Jordão - obra municipal de R$ 24 milhões incluída no programa federal. Única parada do grupo onde houve discursos, populares reagiram às falas com críticas ou gritos anônimos de "é tudo ladrão". Para o verdureiro Moacir Brito Batista, de 52 anos, o DEM (antigo PFL) foi o responsável pela construção da obra e também deveria responder pelo que cobrava.
No bairro há registro de mortes devido às enchentes que sempre ocorrem em períodos de chuva e inundam cerca de 10 mil casas, de acordo com associação de moradores. Os democratas prometeram pressionar pela realização das obras de revestimento e dragagem e o ex-governador de Pernambuco Roberto Magalhães chegou a pedir a mobilização da comunidade para a realização da obra. "É tudo mentiroso, enganador", reagiu o verdureiro Batista, que chegou a discutir com Magalhães. O ex-governador quis explicar o que fez no seu governo, mas foi afastado por assessores. "O povo é que sofre", resumiu Manoel Fernandes, que mora no bairro há 45 anos. "A situação não muda há 30 anos".
Comandada pelo presidente nacional do partido, Rodrigo Maia (RJ), a caravana contou com a participação de lideranças locais, do deputado federal André de Paula (PE) e do líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), que, no seu discurso, chamou a ministra Dilma de "mulher incompetente" e o PAC de "Programa de Aceleração de Campanha eleitoral".
O objetivo da Caravana é mostrar que a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, tem tido uma gestão "pífia e incompetente", nas palavras do presidente nacional do partido. "Não tem nenhum presidente no mundo que tenha inaugurado tanta pedra fundamental de obra como o presidente Lula", destacou ele. "O que queremos é que o presidente inaugure as obras das pedras fundamentais que são inauguradas". A cobrança da oposição poderá, segundo ele, ajudar o governo a "modificar uma gestão que já se provou ineficiente".
A caravana é uma decisão partidária, um contraponto às viagens do presidente, que normalmente leva a ministra, batizada de "mãe do PAC". A caravana do DEM vai percorrer cidades polo em todo o País - um estado por semana. Vai fiscalizar as obras do programa que, no entender do partido, além de não executar o que mostra nas propagandas, transformou-se numa "salada de propostas".
"O PAC tem de tudo, desde uma refinaria de R$ 10 bilhões até assistência técnica a municípios no valor de R$ 20 mil, ou água numa escola rural ao custo de R$ 45 mil", dizia um dos banners que o partido colocou nos pontos visitados no Recife - os bairros do Ibura, Jardim Beira Rio e Jordão, todos na zona sul da cidade. "O governo precisa se reorganizar e tocar as obras, que é o que interessa a todos", afirmou Maia. "Tem muita obra anunciada que não começou".
Segundo o DEM, em Pernambuco, das 10 principais obras do PAC, sete estão com o cronograma atrasado, uma está paralisada, uma em execução e uma obedece ao prazo previsto (adutora do Sistema Pirapama). São R$ 27 bilhões previstos para serem liberados até 2010. No entanto, pouco mais de R$ 700 milhões saíram até agora. Nacionalmente, dos R$ 646 bilhões previstos, apenas 9,5% integram o PAC orçamentário (2007/09) e existem R$ 17,3 bilhões de restos a pagar (2007/08) relativos a obras pendentes ou não iniciadas.