Washington - Assim como quem volta de uma viagem a Paris sempre traz na mala uma lembrança da Torre Eiffel, o turista que vai a Washington não deixa a cidade sem um souvenir do novo motivo de orgulho do país: seu presidente. Mesmo depois de um mês da posse, a euforia em torno de Barack Obama persiste e é comprovada nas vendas. Em diversas lojas e quiosques da capital, bonés, camisetas, bonecos e canecas com o rosto do presidente pop se transformaram em um negócio lucrativo. Quem investiu na Obamania garante que não se arrepende, apesar de saber que tamanha paixão por um presidente provavelmente tem prazo de validade.
A comerciante Anna Safovona, 31 anos, que gerencia três quiosques de souvenirs no shopping Fashion Centre, em Washington, não hesitou ao "mudar de ramo" uma semana antes das eleições de 4 de novembro. Os antigos estandes de presentes variados foram esvaziados para receberem apenas produtos com o rosto do então candidato democrata. "Vimos que a procura por artigos do Obama era muito grande. Não sabemos até quando isso vai durar, mas pretendemos continuar vendendo esse tipo de produto por mais alguns meses", afirmou Safovona.
Os compradores, geralmente turistas estrangeiros ou até mesmo norte-americanos de outros estados, chegam a gastar US$ 50 em um casaco de moletom com o rosto de Obama ou em um quadro com a foto da posse. Os produtos mais baratos - chaveiros, bótons, ímãs de geladeira e pastilhas de menta - não saem por menos de US$ 3. Os artigos mais procurados, no entanto, são as camisetas e o boneco bobblehead (com a cabeça presa em uma mola) do presidente, que custa cerca de US$ 20.
Em frente ao quiosque de Safovona, a enfermeira Nicole Orsva, da Califórnia, se viu indecisa diante das opções. Acabou comprando camiseta vermelha com um Obama "a la Che" para lembrar sua primeira viagem a Washington. "Votei no Obama porque acho que ele tem potencial para consertar os problemas que o país enfrenta. Não podia sair daqui sem uma lembrança dele", disse.
Promoções- Apesar da procura, a grande quantidade de lojas vendendo os produtos de Obama - há pelo menos uma em cada shopping, aeroporto e nas ruas do centro- estimula a concorrência. Os primeiros itens a entrarem em promoção foram as camisetas, bolsas e canecas ligadas à posse ou à campanha. "As pessoas estão preferindo comprar produtos atemporais", confirma John Stacey, vendedor de uma loja no aeroporto Ronald Reagan. Uma camiseta desse período antes vendida por US$ 20, agora custa US$ 12,99.
Mas se Biden está em baixa entre os compradores, Michelle Obama e as filhas Malia e Sasha, fazem a alegria de toda a família. Os produtos que estampam os Obamas sorridentes também vendem muito, principalmente entre as mulheres, garante Stacey. A exploração da imagem da família, no entanto, já provocou a ira da nova primeira-dama. Em janeiro, Michelle declarou ser "inapropriada" a comercialização de bonecas com os nomes Marvelous Malia (Malia Maravilhosa) e Sweet Sasha (Doce Sasha), em referência às suas filhas. Uma semana depois, a empresa Ty Inc., rebatizou as bonecas de Marvelous Mariah e Sweet Sydney.
Outras referências à imagem de Obama incomodam o governo. São casos como o do sorvete Yes Pecan (de noz pecã, o produto faz referência ao slogan Yes, we can) e do produto de limpeza The Audacity of Soap ("A audácia do sabão", em referência ao livro de Obama The Audacity of Hope, ou "A audácia da esperança", em português). "Nossos advogados estão desenvolvendo uma política que vai proteger a imagem presidencial, mas cuidando para não esfriar o entusiasmo do público por Obama", disse o porta-voz da Casa Branca Jen Psaki, ao jornal britânico The Daily Telegraph.