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Aborto concluído em menina
Criança grávida // Apesar da pressão da Igreja Católica, menina expeliu ontem os dois fetos no Cisam, no bairro da Encruzilhad


Apesar da pressão da Igreja Católica para que o aborto legal não fosse realizado na menina de nove anos, vítima

O diretor do Cisam, Sérgio Cabral, garantiu que o procedimento foi seguro e que a paciente sentiu o mínimo de dor. Foto: Ana Paula Neiva/DP/D.A Press
de estupro do padrasto e grávida de quase quatro meses de gêmeos, o procedimento foi concluído ontem pela manhã no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), na Encruzilhada. A criança, moradora do município de Alagoinha, no Agreste, internou-se na maternidade no início da noite da última terça-feira, após a mãe assinar um termo de responsabilidade e de receber alta médica do Instituto Materno Infantil Professor Fernando Figueira (Imip), onde estava internadadesde sexta-feira passada. A menina recebeu a medicação para interromper a gestação de 15 semanas ainda durante a noite de terça, no Cisam.

Ontem, por volta das 9h, enquanto advogados da Arquidiocese de Olinda e Recife se preparavam para dar entrada com uma denúncia junto ao Ministério Público de Pernambuco para impedir o aborto, ela já havia expelido o primeiro feto. Duas horas e meia depois, o aborto ocorreu por completo, expelindo o segundo. Cada um tinha aproximadamente seis centímetros e pesava cerca de cem gramas. Os fetos foram guardados em um saco plástico e encaminhados para exame de DNA, que comprovará a autoria do crime de estupro pelo padrasto, o rapaz de 23 anos, que está no Presídio de Pesqueira.

Para induzir o aborto foi amadurecido o colo uterino com aplicação de uma dose mínima de misoprostol. Apenas três comprimidos foram introduzidos diretamente na vagina, quando numa paciente adulta pode-se colocar até o triplo. "Foi um procedimento rápido e seguro. Ela foi analgesiada e sentiu o mínimo de dor", garantiu o médico Sérgio Cabral, diretor do Cisam. No final da manhã de ontem, a menina passou por uma curetagem para limpar e recolher restos de material placentário. Segundo Cabral, a paciente passa bem. "Ela está consciente, conversando e sempre brincando, agarrada a ursinhos de pelúcia", informou. A mãe também está mais calma. As duas estão tendo acompanhamento psicológico.

A interrupção da gravidez foi realizada com apoio das organizações não-governamentais de defesa da mulher, como os grupos SOS Corpo e Curumim. A coordenadora do Curumim, Paula Viana, alegou que não havia mais tempo a esperar. "Cada dia que se passava, o risco era maior, a menina se sentia mal com dificuldade até para respirar. Ela pesa apenas 33 quilos e tem um metro e trinta seis de altura", comentou.

Pela legislação brasileira, grávidas vítimas de estupro e que correm risco de morte podem fazer um aborto até a 20ª semana de gestação. O procedimento também é autorizado pelo Ministério da Saúde e aconselhado por especialistas quando a gravidez põe em risco a vida da mãe. A menina se enquadrava nas duas situações. O Ministério Público de Pernambuco (MPPE), por meio da promotora de Alagoinha, Jeanne Bezerra, informou que está acompanhando o caso e que até agora não foi necessária nenhuma medida judicial. (Ana Paula Neiva)

Caso da menina estuprada e submetida a aborto no Recife repercute na imprensa mundial

O caso da menina pernambucana de nove anos que engravidou de gêmeos após ter sido estuprada pelo padrasto repercutiu na imprensa em todo o mundo. Jornais e sites da América, Europa, Ásia e até do Oriente Médio publicaram a notícia, enfatizando a idade da garota e o ato de violência praticado pelo padrasto de 23 anos.

A menina expeliu esta manhã os dois fetos de aproximadamente quatro meses de gestação. O aborto legal foi realizado no Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam), no bairro da Encruzilhada, para onde a criança foi transferida no final da tarde de ontem.

O Kurier, da Áustria, Blick, da Suíça, Le Post, da França, e News, da Austrália, abordaram o assunto, mas não chegaram a publicar o desfecho do caso, que terminou com o aborto dos fetos. Já alguns jornais, como El Comercio, do Peru, El Dia, da Argentina, e o site SIPSE.COM, do México, já publicaram que a menina foi submetida ao aborto legalmente.

A imprensa internacional que noticiou o desfecho do caso deu destaque para os protestos da Igreja Católica que condenou os responsáveis pelo aborto. No site mexicano SIPSE.COM, por exemplo, a notícia dá conta de que os médicos ignoraram a pressão da igreja e que os advogados da Arquidiocese de Olinda e Recife ameaçaram denunciar à Justiça a mãe da garota pelo o que eles consideraram um "assassinato".

Confira as notícias publicadas em sites e jornais no mundo sobre o caso:

Cyberpresse.com (Canadá)

Le Figaro (França)

DH.be (Bélgica)

Actu24.be (Bélgica)

Foxnews (EUA)

News.com (Austrália)

Lifenews.com (EUA)

Examiner (EUA)

Livenews.com.au (Austrália)

News.com.au (Austrália)

Khaleejtimes.com (Emirados Árabes)

Rian.ru (Rússia)

Asiaone.com (Cingapura)

Kurier (Áustria)

Blick (Suíça)

Le Post (França)

El Comercio (Peru)

El Dia (Argentina)

SIPSE.Com (México)

Da Redação do Diariodepernambuco.com.br


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Edição de quinta-feira, 5 de março de 2009 
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