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Lazer só no nome

Já planejava, há algum tempo, conferir de bem perto o estado em que se encontram algumas das chamadas "ruas de lazer" de Boa Viagem, uma invenção capaz de ilustrar bem a vocação das administrações do Recife para jogar dinheiro fora. E a visita aconteceu depois do encerramento do desfile do Clube dos Rapazes Inocentes (CRI), sexta-feira passada, que, a propósito nem foi dos mais alegres nem dos mais bonitos, independentemente do prejuízo causado pela chuva fina a despencar sobre o ânimo dos foliões. Quando chove, percorrer as tais ruas se transforma em uma tarefa ainda mais irritante, porque o péssimo estado de conservação delas obriga o motorista a provar alguma habilidade ao volante para fugir dos buracos e das ciladas produzidas pelo desenho irregular. De lazer não têm nada mesmo, e são um verdadeiro atentado à acessibilidade, tanto pelas más condições quanto pela arquitetura. Devem, afinal, ter saído de alguma cabeça nada pensante da prefeitura, à época em que foram construídas. Quando as obras são pouco simpáticas aos olhos da população, e pouco eficientes, acabam sendo vistas como heranças malditas. De uma o atual prefeito, João da Costa, participou - a Avenida Conde da Boa Vista - e a outra recebeu como uma espécie de presente de grego deixado pelo então prefeito Jarbas Vasconcelos. Costa tem ao menos um par de motivos para dar a elas uma arquitetura mais humana: viu, como secretário de Planejamento que foi, as pressões sobre acessibilidade, e agora precisa dar uma resposta satisfatória à população de Boa Viagem quanto a uma oferta mínima de lazer. Essas ruas são assim identificadas, até agora, apenas no nome, mas devem fazer jus a ele. E dessa vez a prefeitura tem obrigação de acertar, caso deseje mesmo ganhar pontos preciosos na área de urbanismo.

A mil // Uma das expectativas dos dirigentes do Departamento de Editoração da FCCR é de que o espaço Porto dos Livros seja melhor aproveitado nesta gestão, inclusive atraindo mais leitores para sua livraria. Só no último governo João Paulo, a casa conseguiu editar algo em torno de cem títulos, apesar do eterno aperto nas verbas.

Folia literária // O escritor Raimundo Carrero não quis saber de conversa com a folia e passou o carnaval queimando pestanas na revisão do seu livro A estratégia do narrador, que ainda sai pela Editora Iluminuras. Mas o próximo romance, A minha alma é irmã de Deus, já estará na safra da Record.

Documentário // Na extensa agenda que cumpre até abril, o escritor deve ir a Salgueiro (Sertão), sua terra, para as filmagens de um documentário no qual é a estrela, dirigido pelo jornalista Valdir Oliveira, da TV Universitária. Isso na Semana Santa, depois de voltar de oficinas de texto ministradas em Vitória (ES) e Florianópolis (SC).

Um dos calos // Na reunião do dia 19, a Comissão de Meio ambiente, Transporte e Trânsito da Câmara vai começar discutindo o item que deve ser um dos calos de estimação do prefeito João da Costa - as calçadas. Também servirá para reunir soluções vislumbradas pelos integrantes para amenizar pontos de estrangulamento de trânsito em áreas críticas como a Rosa e Silva.

Turismo real // Na agenda de agentes de viagens do Recife, o Fórum PANROTAS 2009 (17 e 18, Centro Fecomércio de Eventos, São Paulo), que tem entre as estrelas convidadas o Rei Pelé. Bom de bola e melhor ainda em negócios, Pelé recebe homenagem do setor, fala sobre a Copa de 2014 e conta como usa sua imagem para promover o Brasil no exterior.

O primeiro // Agora que Itacuruba (Sertão) está entrando para a privilegiada casta de municípios que abrigam observatórios astronômicos construídos com altíssima tecnologia, o professor Givanildo Amâncio reivindica (por direito) um quinhão do reconhecimento. Lembra que foi o primeiro a vislumbrar a perspectiva de implantação de observatórios na cidade, idéia depois transformada em projeto de nome "Agricultura Celestial".

Orquestra de pedra // O céu de Itacuruba Amâncio dia que considera como a palma da mão, pois vivia a observá-lo depois de adquirir conhecimentos no Clube Estudantil de Astronomia da Várzea (CEA), no Recife. O curioso é, professor de música, chegou à cidade na década de 90 com a missão de criar uma orquestra. Sem dinheiro para tanto, valeu-se das pedras para fazer nascer à Orquestra Itafônica. Isso mesmo: toda à base de instrumentos de pedra.

Galinha alegre // A Prefeitura de Ipojuca pode conversar, nos próximos dias, com uma enviada de Romero Britto a Pernambuco sobre detalhes da escultura a ser colocada na entrada do balneário mais famoso do estado. Deve sair uma galinha das mais alegres como, aliás, costuma ser a maioria das peças nascida da imaginação de Britto.


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Edição de domingo, 1 de março de 2009 
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