O vaivém de dias e mesesFevereiro se foi. Deu a vez a março. São 31 dias de império do deus da guerra. O terceiro mês do ano é a ele dedicado. Marte é forte, valente e mau. Está sempre preparado para a luta. Dia e noite usa capacete e armadura. Na mão esquerda carrega um escudo. Na direita, uma espada.
Onde há guerra, lá está ele. Aparece de surpresa, num carro puxado por quatro cavalos. No campo de batalha, não deixa por menos. Fica no meio dos soldados e briga com vontade. Bate, fere e mata. Ninguém o vence. Todos, só de vê-lo, tremem na base. Não conseguem, sequer, segurar a arma.
Em homenagem a Marte, março se chama março. O planeta Marte recebe o nome de Marte. (O homem verdinho que nasce lá é marciano.) Márcio e Márcia têm tudo a ver com o senhor da guerra. Judô, caratê e aiquidô também. São lutas marciais.
Sabe por quê? Há muiiiiiiiiiiiiiiiiiiiitos anos, os guerreiros japoneses e chineses não tinham armas. Para atacar ou defender, usavam o próprio corpo. Aprendiam, então, as lutas da guerra. Na denominação, Marte entrou na jogada. São as lutas marciais.
O primeirão
O primeiro dia do mês tem tratamento privilegiado. Só ele se escreve em numeral ordinal. Os demais entram na vala comum. Grafam-se com o vira-lata cardinal: Hoje é 1º de março. Amanhã serão 2 de março. Que tal marcar viagem para 23 de maio?
Na dúvida, banque o esperto. Lance mão de macete mnemônico. Lembre-se de 1º de abril. Alguém diz que o Dia da Mentira é 1 de abril? Não. Nem mentiroso.
Sem pedigree
Reparou? Nome de mês é substantivo comum. Grafa-se com a inicial pequenina da silva: janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, etc. e tal.
A maiúscula tem chance com eles? Tem. Em datas comemorativas ou nome de ruas, avenidas e assemelhados, a grandona pede passagem: Os brasileiros comemoram o Sete de Setembro. Moro na Avenida 15 de Novembro. O 2 de Julho merece a reverência dos baianos.
Leitor pergunta
Tenho um filho, Caio, de 6 anos, que está começando o processo de alfabetização. Todos os dias, fazemos leituras da Minha 1ª biblioteca Larousse, entre outras obras. Numa dessas viagens pela letras, restaram várias dúvidas, inclusive levantadas pelo próprio Caio. Quando surgia uma palavra grafada com s, ele lia com som de cê. No entanto, a palavra tinha som de zê. Expliquei que, quando entre vogais, o s tem som de zê. Depois surgiu a mesma dúvida com o x: dei a mesma explicação, mas o Caio me fez perceber, adiante, que estava totalmente errada. O x soava zê. Afinal, quando o x tem som de zê, cê e ch? Valem os exemplos de debaixo e exibia.
Izabel Yoshida, Brasília
Izabel, ortografia é fixação visual. Quanto mais lemos, mas familiar se torna o emprego de esses, zês, xis e ch. Não é outra a razão por que escrevemos hospital com h. Pouca gente lhe conhece a etimologia. Mas viu tantas vezes a palavra que acabou aprendendo a forma. Parece mágica. Mas não é. É memória.
O mesmo ocorrerá com o Caio.Os olhos dele baterão tantas vezes em debaixo, exibia & cia. que a mãozinha escreverá o xis onde deve ser escrito - sem esforço nem estresse. Por isso não vale a pena lhe encher a cabecinha com regras. Regras são abstrações. Ele não tem maturidade pra compreendê-las. A hora chegará.
Recado"À medida que frequentamos vários ambientes, mais nos convencemos de que o sucesso tem muito a ver com a linguagem. Por isso a língua passa a ser nosso instrumento de sedução."
Edna Perrotti, professora