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Iniciada indução de aborto
Vítima de abuso sexual, menina de 9 anos grávida de gêmeos está sendo medicada no Imip, onde também passará por curetagem


Os procedimentos para o aborto dos gêmeos esperados pela menina de nove anos, vítima de abuso sexual, foram iniciados neste sábado. A criança está internada, desde sexta-feira, na enfermaria de gestação de alto risco no Instituto Materno Infantil (Imip), assistida por uma equipe multidisciplinar. A família da criança solicitou a interrupção da gravidez e o Imip, diante do risco que corre a paciente, acatou o pedido. A lei brasileira, desde 1940, prevê a interrupção em situações de risco para a mãe ou em caso de violência sexual.

De acordo com informações do Imip, o aborto será induzido através de medicamentos. A duração do procedimento dependerá da reação do organismo da menina. Posteriormente, ela deverá ser submetida a uma curetagem, para a retirada de material placentário ou endometrial do útero por um instrumento denominado cureta.

A menina, moradora do município de Alagoinha, no Agreste, chegou ao Recife na sexta-feira, depois da descoberta da gravidez precoce. Ela passou por uma série de exames médicos que confirmaram a gestação de gemelar de 15 semanas. A criança e a irmã, uma adolescente de 14 anos, informaram ser abusadas sexualmente pelo padrasto. As duas também passaram por exame sexológico no Instituto Médico Legal (IML). Os resultados devem ser divulgados nos próximos 15 dias. Segundo a conselheira tutelar do Recife, Jeanny Oliveira, os legistas do IML constataram que as duas irmãs estão com inflamação no canal vaginal, provocadas, provavelmente, por doenças sexualmente transmissíveis.

A gravidez polêmica foi descoberta quando a menina foi atendida na Casa de Saúde São José, em Pesqueira, no Agreste, na última quarta-feira. Ela se queixava de enjoos, tonturas e fortes dores de cabeça. O médico de plantão, um ginecologista, desconfiou da gravidez, que foi confirmada através de uma ultrassonografia. A criança, então, revelou que vinha sendo obrigada a fazer sexo com o padrasto há cerca de três anos e que nunca contou o que acontecia porque era ameaçada de morte. O homem, desempregado, de 23 anos,vivia com a mãe das duas meninas há três anos. A criança de nove anos disse ainda que o padrasto costumava lhe dar R$ 1.

O padrasto foi preso na quinta-feira, em Alagoinha, quando se preparava para fugir para Paulo Afonso, na Bahia. Ele teve a prisão temporária decretada e deverá ser indiciado por crime de estupro, aliciamento de menor e pedofilia, com uma pena que pode chegar a mais de 15 anos de detenção. Ele está detido no Presídio de Pesqueira, no Agreste, em uma cela isolada por medida de segurança.

No depoimento à polícia, o padrasto comprometeu a mãe das meninas, insinuando que ela sabia da situação. A mãe, por sua vez, assegurou nunca ter desconfiado de nada. O delegado de Alagoinha, Antônio Dutra, no entanto, vai intimar a mãe das duas meninas novamente para saber se ela foi conivente com os abusos. Os nomes dos familiares da menina e do padrasto não são divulgados pelo Diario para preservar a identidade da menina, por determinação do MPPE.


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Edição de domingo, 1 de março de 2009 
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