São menos de três quilômetros. Uma distância que poderia ser percorrida em cinco minutos. Poderia. Se não
 Na Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, fluidez do tráfego é prejudicada por obstáculos ao longo da via. Foto: Ricardo Fernandes/DP/D.A Press |
houvesse um carro estacionado em uma das faixas, caminhões descarregando algum produto ou um veículo quebrado. Ou simplesmente tantos carros na rua. Assim, o percurso pode levar meia hora. A queixa foi comum a todos os motoristas ouvidos pelo Diario. Reclamam da ausência de solução e de que a situação no trânsito do Recife só faz piorar. Quando são convocados a participar dos debates, a reação também é unânime. Todos disseram que isso cabe aos políticos, presidentes de associações ou outros representantes da sociedade. Não a eles, que são a sociedade.
Mais uma oportunidade de opinar sobre o futuro ambiental e urbano do Recife será dada aos moradores neste mês. A Comissão de Meio Ambiente da Câmara de Vereadores do Recife retomará as atividades com ações, inicialmente, focadas no trânsito. Nesta quarta-feira, os vereadores analisarão as sugestões que já chegaram à comissão para preparar as propostas que serão apresentadas no dia 19. Na ocasião, será realizada uma reunião pública, que deverá contar com a participação dos vereadores e representantes dos órgãos municipais envolvidos. "Ainda não será uma audiência pública, mas queremos ouvir os moradores que podem nos ajudar bastante pois conhecem bem as ruas de seus bairros. Propomos mudanças baratas e práticas, como inversão de vias ou torná-las mão dupla", afirmou o presidente da comissão, Daniel Coelho (PV).
A discussão sobre o trânsito será feita por bairros e o primeiro abordado será Boa Viagem. Apesar da inversão nas vias principais e da expectativa sobre as obras da Via Mangue, os moradores acreditam que outras intervenções são necessárias. "O bairro só faz crescer e as pessoas compram cada vez mais carros. Às vezes, só precisamos de controle para ajudar a desobstruir as vias", comentou Clara Ferreira, 25 anos, citando a ocupação de faixas indevidamente como exemplo. "O estacionamento na avenida beira-mar já reduziu para melhorar a qualidade ambiental. Mas só na teoria, porque os carros continuam ocupando faixas proibidas", disse.
Responsabilidades - Quando questionada se participaria de reuniões para sugerir mudanças, a resposta foi a mesma dos outros entrevistados. "Já temos tanta responsabilidade. Não elegemos pessoas para tratarem de nossos direitos?", ponderou. O supervisor de vendas Gerd Kohler Júnior, 41, mora na Avenida Agamenon Magalhães e tem a Rosa e Silva como seu tormento. Nos horários de pico, ele precisa enfrentar o gargalo da avenida com a Rua do Hora. "Acho que o aumento na fiscalização poderia ajudar o trânsito a fluir, mas é complicado comparecer a reuniões como essas. Isso é mais para líder comunitário", disse.
A Avenida Rosa e Silva e suas transversais será a segunda região discutida pela comissão. A engenheira civil e professora do curso de gestão em trânsito da Universo, Adriana Marinho, destacou que todas as discussões com a sociedade são positivas. Mas lembra que o foco para a melhoria do trânsito e do meio ambiente é a qualidade no transporte coletivo. "A sociedade precisa assumir, mas só com o coletivo chegaremos a sustentabilidade", defendeu.
Como está a mobilidade?Pernambuco tem 1.497 milhão de veículos
791 mil são automóveis
313 mil estão no Recife
Dos ônibus
2.700 ônibus circulam na RMR
1,8 milhão de passageiros/dia
1.200 ônibus somente no Recife
400 mil passageiros/dia na capital
61 ônibus equipados com elevador para deficiente
2.427 ônibus equipados com câmeras de segurança - ônibus climatizados: nenhum (exceção os opcionais)
11 terminais do Sistema Integrado
No metrô
29,3 quilômetros de extensão
20 estações
190 mil passageiros são transportados por dia
76 linhas de ônibus integradas ao metrô
25 trens
8 trens com ar condicionado
Fonte: Grande Recife, Metrorec, Detran (2008)