O superintendente regional do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Abelardo Siqueira, esteve ontem no município de São Joaquim do Monte, no Agreste do estado, onde quatro seguranças foram mortos por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no último sábado.
 Dois seguranças da Fazenda Consulta, em São Joaquim do Monte, que aparecem nesta foto foram mortos por integrantes do MST. Foto: MST/Divulgação |
A viagem, terceira desde a chacina, tentou sensibilizar os 110 acampados a saírem da Fazenda Jabuticaba, pivô do conflito que culminou com os assassinatos na Fazenda Consulta, distante 20 quilômetros da Jabuticaba. Após a desocupação, o Incra pretende medir o terreno da propriedade e acabar de vez com as dúvidas a respeito da possibilidade de reforma agrária na fazenda. De acordo com testemunhas, esse foi o estopim para os conflitos armados. Os trabalhadores rurais, no entanto, ainda não têm previsão para deixar o local. O líder do MST em Pernambuco, Jaime Amorim, alertou que outras mortes podem acontecer em Condado e Águas Belas.
O impasse em São Joaquim do Monte pode ser solucionado na semana que vem. A reunião marcada por Abelardo Siqueira com os proprietários da Fazenda Jaboticaba, que aconteceria ontem, foi adiada para a próxima terça-feira, dia em que o ouvidor-geral do Incra, Gercino Silva, chega a Pernambuco. "Estamos mediando as negociações entre os proprietários da fazenda e os trabalhadores rurais. O que queremos é saber se as terras possuem menos de 800 hectares, critério que elimina a possibilidade de reforma agrária", afirmou o superintendente do Incra-PE.
Segundo dados repassados pelo MST, a fazenda possui mais de 800 hectares e os donos do terreno adulteraram as medidas no cartório de registros da cidade para evitar os assentamentos. Cerca de 75 famílias estão acampadas na área desde outubro do ano passado. A equipe do Diario procurou um dos donos da fazenda Jabuticaba, Estrenilton Guedes, mas ele não quis se pronunciar sobre o assunto. O líder do MST no estado afirmou que novos conflitos podem ocorrer nas áreas rurais de Condado e de Águas Belas. "Há tensões entre ocupantes e seguranças do Engenho Bonito, em Condado, e da Fazenda Nova, em Águas Belas. Os confrontos nessas duas áreas de conflito são iminentes e existem seguranças armados", declarou Jaime Amorim.
Perícia - Na próxima segunda-feira o delegado de São Joaquim do Monte, Luciano Francisco Soares, espera fazer a perícia criminal nas fazendas Consulta e Jabuticaba. A Polícia Civil já prendeu dois integrantes do MST envolvidos com os assassinatos dos seguranças José Arnaldo da Silva, 40 anos, José Wedson da Silva, 26, Rafael Erasmo da Silva, 25, e Wagner Luís da Silva, 25. Os sem-terra Aluciano Ferreira dos Santos, 31, e Pedro Alves, 62, foram detidos no último domingo e indiciados por homicídio qualificado, com pena que varia de 12 a 30 anos de prisão. Ainda há outros dois suspeitos foragidos. Os desentendimentos entre agricultores e donos de terra da região existem desde 2000. Desde então, foram feitos vários despejos por ordem judicial. O último deles aconteceu no dia 19 de fevereiro. De acordo com Luciano Soares, o estopim da crise teriam sido gravações feitas por uma integrante do movimento que trouxe imagens mostrando seguranças apontando armas para os acampados.