Um caso polêmico de gravidez na infância foi descoberto na cidada de Alagoinha, no Agreste do estado. Uma menina de apenas nove anos está grávida de quase quatro meses e de gêmeos. O pai seria o padrasto, um rapaz de 23 anos, que há três vivia com a mãe da garota e que foi preso ontem à noite. A população da cidade tentou linchá-lo. A história de agonia e ameaça vivida pela criança veio à tona na manhã da última quarta-feira. Após se queixar de enjoos, tonturas e fortes dores de cabeça, a menina foi levada pela mãe até a Casa de Saúde São José, em Pesqueira. O médico de plantão, um ginecologista, desconfiou da gravidez, confirmada por meio de ultrassonografia. Depois disso, a menina revelou que vinha sendo obrigada a fazer sexo com o padrasto há três anos e que nunca contou o que acontecia quando a mãe saía de casa porque era ameaçada de morte. A criança deverá ser examinada hoje pela equipe do Instituto Materno Infantil de Pernambuco (Imip), no Recife. Em casos como este, quando a vítima foi estuprada e corre risco de morte, a lei permite que seja realizado o aborto. O Ministério Público já foi acionado.
Há suspeitas de que o suspeito também tenha abusado da irmã mais velha da menina grávida. Ela é portadora de deficiência e tem 14 anos. As duas serão submetidas hoje a exame sexológico no IML, também no Recife. Por determinação do Ministério Público de Pernambuco, para preservar a identidade da menina, o nome e a imagem do padrasto não estão sendo divulgados pelo Diario. A menina alegou que nunca revelou os abusos porque temia ser morta pelo agressor. "Ele dizia que ia cortar meu pescoço com a foice e matar minha mãe", falou para os conselheiros tutelares. A criança disse que o padrasto costumava lhe dar R$ 1.
A mãe da criança, por sua vez, declarou nunca ter desconfiado de nada. Para ela, o marido era apenas um homem cuidadoso com as filhas. "Eu confiava demais nele. Quero que ele pague pelo que fez e seja preso", disse. Segundo o conselheiro tutelar do município Cláudio Roberto Lima Melo, a criança não tem sequer noção da gravidez. "Ela não tem consciência do seu estado. Estamos muito preocupados com a saúde dela porque ela tem baixa estatura e é muito miúda", disse.
Segundo ele, o pai da menina, que é separado, está revoltado e culpa a ex-mulher pelo abuso. O casal se separou há pouco mais de três anos, depois que a mulher conheceu o atual companheiro. O padrasto estava desempregado e fazia bicos. O delegado de Alagoinha, Antônio Dutra, já pediu a prisão temporária do padrasto e deve indiciá-lo por crime de estupro, pedofilia e aliciamento de menor. De acordo com o Código Penal Brasileiro, ele poderá pegar mais de 15 anos de prisão em regime fechado. (Ana Paula Neiva)
 Arte: Jarbas/DP |
Desde os seis anos, a menina que hoje tem nove, e que mora na Zona Rural de Alagoinha, no Agreste, vinha sendo abusada supostamente pelo padrasto, que vivia com a mãe há três anos
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Há três meses, a menina menstruou pela primeira vez. Há uma semana, a criança começou a se queixar de tonturas e enjoos. Na última quarta-feira, foi levada pela mãe ao médico, em Pesqueira
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Ao ser consultada pelo médico de plantão, um exame de ultrassom constatou a gravidez equivalente a três meses e meio. Também indicou que a menina está grávida de gêmeos