A investigação do assassinato de quatro seguranças de uma fazenda por dois líderes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no sábado, em São Joaquim do Monte, a 132 quilômetros do Recife, no Agreste Meridional, confirma a ocorrência de um confronto e que a fazenda Jabuticaba tem a documentação comprometida por não ter sido encontrada a certidão primária (da propriedade original), mas apenas as certidões do fracionamento que inviabiliza o uso da área para reforma agrária. "Ainda há muito o que ser investigado", disse, ontem à noite, o promotor agrário do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), Edson Guerra. "Vamos tentar uma autorização para fazer uma visita técnica na área", informou o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Pernambuco, Abelardo Siqueira.
Segundo o promotor agrário do MPPE, que esteve ontem no município, um dos seguranças que fugiu quando começaram os tiros confirmou que eles foram ao local tomar a câmera onde estavam as imagens feitas pelo MST. No momento em que um dos líderes do acampamento foi ameaçado ou levou um tapa na cara começaram os tiros. Outras duas testemunhas seriam um PM e uma pessoa que o acompanhava. "Não se sabe ainda qual o propósito da presença deles na área", destacou Edson Guerra, acrescentando que a existência de armas de ambos os lados piora a situação na região.
Ao regressar de São Joaquim do Monte no final da noite de ontem, o superintendente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em Pernambuco, Abelardo Siqueira, disse que retorna hoje para buscar alternativas. Quanto ao argumento do MST, de que os proprietários das fazendas teriam fracionado as áreas para inviabilizar a desapropriação para reforma agrária, esclareceu que a fazenda Consulta tem o fracionamento conhecido desde 2003, por ser objeto de herança. Já a fazenda Jabuticaba tem fracionamento ainda não comprovado pela falta da certidão da área original. O cartório tem prazo para apresentar o documento.